mulheres traem de coração e chama marido de solene corno - Brasil - iG" /

Em sentença, juiz diz que mulheres traem de coração e chama marido de solene corno

RIO DE JANEIRO - Ao julgar improcedente uma ação por danos morais movida por um marido traído no Rio de Janeiro, o juiz Luiz Henrique Zaidan, do 1º Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça do Rio, chamou o reú de solene corno e defendeu que as mulheres traem de coração.

Redação |

"Elas não traem simplesmente como os homens que, no geral, buscam somente a satisfação carnal do momento, traem de coração, rejuvenescem, desabrocham", afirma Zaidan.

Segundo a sentença, o autor da ação, um policial federal, descobriu que a mulher manteve um relacionamento extraconjugal de agosto de 2006 até junho de 2007, quando passavam por uma crise no casamento.

Ele teria ligado para o amante para cobrar explicações sobre o fato e ameaçado-o. Em razão disso, o amante entrou com processo contra o marido. O juiz afirma que, por ter sido aberto um processo administrativo para saber se houve ameaça por parte do policial federal, foi impossível o sigilo do processo.

Como os colegas de trabalho descobriram a traição, porém, o policial diz ter ganhado o apelido de corno conformado e sido obrigado a conviver com as constantes piadas. Por isso, movia uma ação de danos morais contra o amante da esposa, que foi negada.

O juiz alega que não há mais o crime de adultério no Código Penal, mas, no Brasil, permanece a cultura de achar que só os homens podem trair. "As mulheres tem o dever moral de serem 'santas' ou submissas (...). Há um ditado antigo, da época dos senhores de engenho, que diz: 'pais, prendam suas cabras que meu bode está solto", diz. 

Segundo ele, no entanto, as mulheres estão se emancipando, "indo à luta", e conquistaram o direito de querer "e até de exigir um tipo de relacionamento e de sexo satisfatório e um ótimo desempenho do parceiro. Não mais ficar na condição passiva".

Problemas da meia idade

Outra questão que o juiz levanta na sentença é o fato de homens de meia idade não serem mais tão viris, o que contribuiria para os casos de adultério do casamento. Com o corpo não mais respondendo de imediato ao comando cerebral/hormonal e o hábito de querer a mulher 'plugada' 24h, começam a descarregar sobre elas sua frustrações, apontando celulite, chamando-as de gordas e deixando-lhes toda a culpa pelo seu pobre desempenho sexual, afirma.

Ao mesmo tempo, no entender do magistrado, as mulheres estão na fase pré-menopausa em que desejam um sexo com maior frequência, melhor qualidade e mais carinho. Querem um macho que mostre suas plumas bem antes do acasalamento, considera.

Neste momento, há duas opções possíveis para ele: ou as mulheres ficam deprimidas, envelhecem e murcham ou então buscam outros beijos e se sentem felizes, amadas e poderosas.

A vingança

O juiz Luiz Henrique Zaidan escreve ainda que as mulheres, ao serem renegadas, sentem o doce sabor da vingança. Meu marido não me quer, me acha uma 'baranga' (azar dele!), meu amante me quer. Eu sou um bom violino, há que se ter um bom músico para me fazer mostrar toda a música que sou capaz de oferecer, filosofa, acrescentando que, nesta hora, o marido descobre que ficou sem dignidade e foi transformado num solene corno.

O juiz critica ainda que, hoje, as pessoas procuram o Poder Judiciário para resolver falhas e frustrações pessoais.

Defesa do amante

Na curiosa sentença, Luiz Zaidan defende ainda o amante e diz que ele "só fez outra pessoa feliz". Era alguém que precisava dele como de água no deserto (...). Ele apenas satisfez o desejo de uma pedinte. É crime? Não. Pecado? Não, afirma.

Para o traído, o juiz dá dicas de como lidar com a situação. Deve ir a um psiquiatra aprender a lidar com seus fantasmas, cuidar da saúde física e mental. Além disso, para manter o boa convivência, não deve nunca jogar na cara da esposa o perdão concedido.

O amor e o casamento

Por fim, o magistrado diz que o casamento deve ser sempre cultivado: é como administrar uma fazenda, em que é preciso começar tudo de novo, todas as manhãs. E ele parabeniza o marido por ter continuado com a esposa apesar do fato ocorrido. Ele atuou como homem perante a sociedade, que é preconceituosa, pelo fato do perdão. Ato este que deve ser reconhecido e servir de exemplo, porque houve a manutenção do que é mais belo no homem: o amor.

Leia mais sobre: traição

    Leia tudo sobre: danos moraistraição

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG