Em SC, cidade sem voos regulares soma três desastres aéreos em 15 anos

A queda de uma aeronave da Esquadrilha da Fumaça na tarde desta sexta-feira em Lages (SC) é a terceira tragédia aeronáutica do município nos últimos 15 anos. Com a confirmação do falecimento de Anderson Fernandes, o piloto da aeronave que caiu neste feriado, chega a 17 o número de mortes causadas por acidentes com aviões no município desde 1995.

Patrick Cruz, iG São Paulo |

Em maio daquele ano, o executivo Paulo Bampi deu-se conta, em Florianópolis, que havia esquecido seu passaporte em Lages, localizada na região serrana de Santa Catarina, a 220 quilômetros da capital. Bampi fretou um táxi aéreo para retornar à cidade para buscar o documento, mas o mau tempo e falhas humanas, segundo a conclusão das investigações, derrubaram a aeronave em um matagal próximo do Aeroporto Federal Correia Pinto. Além do executivo, morreram seu filho, Marcos Bampi, e os pilotos Ariel Tadeu Lucas e Guilherme Thulhis.

Pouco mais de dois anos depois, em maio de 1997, o choque de duas aeronaves causou a morte de 12 pessoas, o que acabou se tornando a maior tragédia aeronáutica da década em Santa Catarina. Assustada com a colisão, Janete Couto, que estava no solo, teve uma parada cardíaca e também faleceu.

As causas do acidente desta sexta-feira ainda serão investigadas. Assim como em 1997, a tragédia ocorreu nas comemorações do aniversário do aeroclube da cidade, que completou 68 anos de criação no dia 1º de março.

Nereu Ramos, o único catarinense até hoje a ter ocupado a presidência da República, é natural de Lages e também morreu em um desastre aéreo. O avião que ocupava caiu em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, em 16 de junho de 1958, quando o político ocupava uma cadeira no Senado. Ramos foi presidente do País no conturbado período que se seguiu ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1955. No ano seguinte, foi Nereu Ramos que passou a faixa presidencial a Juscelino Kubitschek.

Ironicamente, a cidade que agora soma três tragédias aéreas em uma década e meia está sem voos regulares. Por décadas, o aeroporto da cidade tinha voos diários para capitais como Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. A última companhia a ter voos regulares para o município, a NHT, desativou o destino em 2008.

A despeito da falta de voos, um novo aeroporto está em construção. Embora localizado no vizinho município de Correia Pinto, Lages, por ser a maior cidade da região serrana catarinense, deve responder pela maior demanda.

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