No Jardim 9 de Julho, na zona leste de São Paulo, pouca gente sabe que L.S.D., de 40 anos, trabalha como soldado da Polícia Militar. Ele não volta para casa fardado, tampouco seca o uniforme no varal do quintal. Ele, como outros colegas, tem medo, e não por acaso.

A cada quatro dias, um PM morre em serviço ou em folga no Estado. Foram 719 execuções nos últimos sete anos e meio. Só no primeiro semestre deste ano, 8% das vítimas de latrocínio - roubo seguido de morte - eram PMs.

O total de baixas equivale a cinco companhias da polícia. Do total, 503 foram mortos em folga e 216, em serviço. O ano de 2004 teve o maior número de militares assassinados fora de serviço (81) e 2001 liderou as mortes de PMs em serviço (41). Diante desses números, sobra precaução a L.S.D. "Na periferia, quanto menos pessoas souberem que somos PMs, por causa do crime organizado, melhor. Hoje em dia, farda só no quartel ou na viatura."

Mesmo sem fardas, muitos PMs não conseguem escapar da morte. Os assassinatos de policiais em folga correspondem a 70% do total de execuções. Segundo levantamento feito pela Corregedoria da PM, dez policiais foram mortos no primeiro semestre deste ano vítimas de latrocínio (129, no total) e em folga. Outros 14 PMs em folga foram vítimas de homicídio. Dos 36 executados, 12 estavam em serviço.

Nesse período, das vítimas de latrocínio, cinco foram executadas na capital e outras cinco no interior. Entre os 14 PMs vítimas de homicídio, cinco foram mortos na capital, três na Grande São Paulo e seis no interior. O segundo semestre de 2008 começou violento para os PMs. No último dia 10, dois foram mortos e um ficou ferido em três situações diferentes na capital e na Grande São Paulo. Todos estavam de folga. A Polícia Militar não comentou os números obtidos pela reportagem, apenas forneceu o número de mortes de policiais em serviço. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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