Repaginadas pela iniciativa privada, as ruas do Brás, na região central de São Paulo, serão taxadas com um Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) até 126,2% mais alto. O aumento em 2010 será limitado em 60%, mas a diferença será cobrada nos anos seguintes.

Segundo a Secretaria Municipal de Finanças, a alta se deve justamente aos investimentos feitos principalmente pelos lojistas, o que valorizou os imóveis da região.

Para quem tem imóvel ao lado do Largo da Concórdia, por exemplo, onde os empresários investiram R$ 300 mil em melhorias, o IPTU será até 58,7% mais caro já no ano que vem. Os lojistas da Avenida Rangel Pestana, ao lado da praça, já devem receber o carnê com o imposto reajustado na primeira quinzena de janeiro.

Em outras ruas do bairro, o reajuste chega a 126,2%, como na Rua Barão de Ladário, onde ocorre três vezes por semana a tradicional Feira da Madrugada. O projeto que corrige a Planta Genérica de Valores (PGV) foi enviado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) à Câmara Municipal e precisa ser aprovado em duas votações até dezembro, com o apoio de pelo menos 28 dos 55 vereadores.

Ontem, donos de estabelecimentos que investiram em melhorias no tradicional polo de vendas de roupas no varejo criticaram o aumento do imposto. "Nós que arcamos com toda a reforma e as melhorias, nenhum investimento público foi feito aqui. E agora ainda vamos pagar uma conta para o governo pela melhoria que fizemos. É inadmissível", criticou Guilherme de Oliveira, de 59 anos, dono de uma loja de jeans ao lado do largo. O exemplo do aumento do imposto predial para o Brás foi apresentado ontem pelo secretário adjunto de Finanças, Silvio Dias, durante explicações sobre a correção proposta na nova Planta Genérica de Valores.

"Não são apenas os investimentos públicos que causam a valorização de uma área. Nas estimativas da PGV, temos de levar em conta os bens ou melhorias privados que aumentaram a valorização de um bairro. O Shopping Higienópolis, por exemplo, é um bem privado que valorizou sua área e isso deve ser levado em conta", argumentou o secretário adjunto.

'Expectativa de melhoria'

Sobre o fato de bairros mais afastados e degradados, como a Vila Sônia, na zona sul, e a região conhecida como cracolândia, no centro, apresentarem na PGV valorização de terreno superior a áreas nobres como o Alto de Pinheiros, Dias falou que os técnicos do governo também embutiram nos cálculos a "expectativa" de melhorias. "Daqui a dez anos, essas áreas vão estar bem melhores e por isso seus imóveis já estão valorizados hoje", acrescentou. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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