Em São Paulo, internação do HC continua lotada

Os corredores do pronto-socorro (PS) do Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo continuam lotados por macas, quase um ano depois de anunciadas medidas para desafogar o atendimento. Houve redução de cerca de 40% no atendimento global da unidade, mas pacientes ainda convalescem lado a lado, sem qualquer tipo de privacidade, até mesmo na frente de elevadores.

Agência Estado |

Segundo dados oficiais, houve queda da assistência aos casos simples, de pessoas que procuravam indevidamente ao PS por não conseguir o atendimento em outros locais. De um total cerca de 635 atendimentos diários registrados em maio do ano passado, o PS registra hoje 370 casos todos os dias, o que indica sucesso da estratégia de encaminhamento dos doentes para o pronto-atendimento da Prefeitura, a rede de AMAs, e os postos de saúde municipais, como explica o superintendente do hospital, José Manoel de Camargo Teixeira.

Por outro lado, as internações não caíram, mantendo média diária de 36 a 40 casos, superior aos 50 leitos que estão disponíveis no PS. Segundo médicos da unidade, há dificuldades para encontrar leitos para pacientes que sofrem de câncer avançado, problemas neurológicos e nefrológicos, entre outros doentes crônicas que poderiam ser internados em unidades de menor complexidade e que ainda acabam nos corredores local. Além disto, as obras de ampliação do local atrasaram por problemas da empresa contratada e também a área de acolhimento de trauma não está pronta, o que obriga os bombeiros a atravessar o PS lotado com os pacientes atendidos pelo resgate.

Em visita na quarta-feira, a reportagem contou pelo menos 40 macas nos corredores. Todos os espaços vazios, inclusive áreas na frente de elevadores, eram aproveitados na apertada e abafada área do PS. Teixeira destacou: “Por que temos macas? Porque o PS é insuficiente para a demanda. A Secretaria de Estado da Saúde está informada, mas o problema é complexo. A mudança foi boa, reduziu os atendimentos, mas continuamos atendendo da mesma maneira crítica, o número de internações é o mesmo”.

Ampliação

“Melhoramos, mas ainda estamos distantes do ideal”, disse o diretor do PS Samir Rasslan. De cerca de 20 pedidos de transferências de pacientes que não precisariam ficar internados no PS, menos de 10% são atendidos pela central de regulação do Estado em razão da carência de leitos para doenças como câncer, por exemplo. O diretor acredita que mesmo a ampliação de 30 leitos prevista não será suficiente.

Em 2007 o governo, depois de avaliar que o HC estava sobrecarregado, passou a orientar que casos simples fossem atendidos em postos de saúde. “As internações nas macas irão acabar”, disse na época Teixeira. Segundo médicos, no entanto, as pessoas que vinham com casos simples eram o menor problema e o gargalo do PS está nos casos de pacientes de doenças graves que não têm onde ser internados.

Fabiane Leite

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