Em regime de mutirão, operários retomam obras do Cimento Social na Providência

RIO DE JANEIRO ¿ Cerca de 150 trabalhadores do projeto Cimento Social, que prevê a reforma de 782 casas do Morro da Providência, no centro do Rio de Janeiro, retomaram as obras, em regime de mutirão, nesta quinta-feira. À tarde, a presidente da associação de moradores da comunidade, Vera Melo, vai a Brasília tentar garantir a liberação de R$ 900 mil para finalizar a reforma de 30 imóveis dos 80 da primeira fase do programa social que ainda estão incompletos.

Redação |


Desde o começo da manhã, os operários recolhem o material de construção que ficou espalhado pela comunidade ¿ há andaimes, carrros-de-mão e sacos de cimento em diversos imóveis do Cimento Social - depois de as obras terem sido embargadas por medida do juiz Fabio Uchoa , da Justiça Eleitoral. A Polícia Militar reforçou o policiamento e faz rondas nas imediações do morro.

Protesto de moradores

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) autorizou, na quarta-feira, a conclusão das obras, em regime de mutirão, de 30 das 80 casas que faltam ser finalizadas. A retomada é feita em parceria com a Construtora Edil - que venceu a licitação feita pelo Comando Militar do Leste.

A liberação foi garantida depois que os moradores fizeram pressão para a finalização da primeira etapa do Cimento Social e após o governo do Estado e a prefeitura afirmarem que têm disponibilidade para concluir as obras.

Das 30 casas ainda incompletas, 16 estão sem telhados. A Secretaria de Assistência Social da prefeitura do Rio se dispôs a alocar as famílias em um hotel, mas eles foram abrigados pelos próprios moradores da comunidade.

Até o momento, a Associação de Moradores do Morro da Providência arrecadou R$ 75 mil, a partir de doações feitas por empresários, para a reforma, mas Vera Melo pleiteia que o governo libere a verba necessária para o projeto. A segunda fase ainda não tem previsão de início.

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

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