Em Recife, Marina garante que manterá Bolsa Família

Com discurso claro de pré-candidata na disputa pela sucessão presidencial, em 2010, a senadora Marina Silva (PV) cumpriu uma extensa agenda política, ontem, na Região Metropolitana de Recife. No estado natal do presidente Lula, Marina fez questão de enfatizar o que classificou como os avanços socioeconômicos da gestão do petista e de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Agência Estado |

"Não tenho preconceito contra as boas experiências, não importa de que partidos sejam. Os processos são cumulativos. Não política, não se pode ter uma visão desconstrutiva. Vou respeitar os avanços econômicos e sociais alcançados nos últimos 16 anos e vou além", afirmou, ao deixar evidente a decisão de faturar para sua imagem os pontos positivos alcançados pelo governo do qual fez parte.

Apesar dos elogios ao atual governo, com o qual rompeu politicamente, a senadora apressou-se em apontar o "diferencial" de sua candidatura. "Evoluímos social e economicamente, não há como negar. Agora, o desafio é transitar para uma economia de baixo carbono. Para que o País conserve suas conquistas, continue se desenvolvendo, mas que se insira numa nova realidade. Se não nos prepararmos agora, ao longo dos próximos 20 ou 30 anos, não conseguiremos chegar à ponta do desenvolvimento", destacou. A ex-petista defendeu ainda a manutenção de programas sociais, como o Bolsa Família.

Questionada sobre eventuais dificuldades da população de baixa renda em compreender o discurso do PV, fortemente focado em questões socioambientais, Marina foi enfática. "Não se pode subestimar o povão. A população está aprendendo que eles podem eleger muito mais que candidatos. Eles podem eleger projetos e diretrizes. Podem escolher levar madeira certificada para suas residências ou eleger ações que garantam a sustentabilidade do planeta". De olho no potencial eleitoral da região, a senadora defendeu a criação imediata de um plano de desenvolvimento sustentável para o Nordeste. "É fundamental que se crie processos para geração de emprego e renda, levando as pessoas para a inclusão produtiva".

A articulação nacional que começa a ser costurada com partidos como o PSOL e o PSC, na tentativa de ampliar o tempo de televisão durante a campanha eleitoral, foi tratada com reservas pela senadora. "Temos discutido esta questão de forma pragmática. Mas se haverá uma aliança forma ou informal, ainda não sabemos. Mas esta questão não é só simplesmente para aumentar o tempo de televisão. Essa é uma visão reducionista". Principal liderança do PSOL, a ex-senadora Heloisa Helena (AL), foi convidada para acompanhar a agenda de Marina Silva em Pernambuco, mas não apareceu.

Disposta a evitar polêmicas, a senadora optou por respostas mornas ao ser questionada sobre a decisão do STF em transferir para o presidente da República a decisão de conceder, ou não, a extradição do ativista italiano Cesare Battisti. "É uma questão complicada que envolve a diplomacia entre dois países, mas que deve levar em consideração a questão humanitária", sentenciou. O mesmo aconteceu ao comentar as críticas da oposição, que acusa de eleitoreiro o filme sobre a vida do presidente Lula. "A arte é livre, é a história de uma pessoa importante e as pessoas farão o seu próprio discernimento".

Após a entrevista, concedida no Hotel Atlante Plaza - o mesmo onde há pelo menos 5 anos o presidente Lula sempre se hospeda quando vem a Pernambuco - Marina participou do encerramento do Encontro Regional do PV. Em seguida, visitou o Parque da Jaqueira, onde o PV plantou, há 20 anos, uma seringueira em homenagem a Chico Mendes. Depois, participou de evento na Câmara Municipal do Recife, onde discursou sobre política e meio ambiente. O último compromisso da senadora na capital foi uma reunião com lideranças de diversos setores do estado.

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