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Em Spirit , Frank Miller requenta fórmula de Sin City

SÃO PAULO ¿ Quem conhece o personagem Spirit, criado pelo roteirista e quadrinista Will Eisner na década de 1940, vai implicar com o tratamento que ele recebeu do também quadrinista e agora diretor de cinema Frank Miller na adaptação de sua história para a telona, The Spirit - O Filme, em estreia nacional.

Reuters |

E quem nunca leu o gibi do mestre da arte sequencial (Eisner criou esse termo para elevar as histórias em quadrinhos a um novo patamar artístico), ao só ver o filme, nunca saberá do que é feito esse detetive galanteador, sempre às voltas com mulheres arrebatadoras e perigosas, numa cidade infestada de armadilhas, cópia noir de uma Nova York valorizada por um jogo de luz e sombra, marca reconhecida do mestre.

"The Spirit - o Filme" incorpora mais o mundo visual de Miller do que o de Eisner. Responsável por um cuidado na direção de arte e nos efeitos visuais que beira o exibicionismo, Miller novamente tentou explorar em película a estética dos quadrinhos, com trama e personagens que não precisam necessariamente ser realistas (ao contrário, podem até ser absurdos e exagerados).

Mas a referência que faz é ao seu próprio ego. Quem viu seu filme anterior, "Sin City" (adaptação da graphic novel de sua autoria), encontrará praticamente uma continuidade visual, enfatizada logo nas imagens iniciais com a gravata esvoaçante do personagem, num tom vermelho-sangue, destacando-se ostensivamente do cinza-chumbo de sua roupa e do cenário.

O Spirit de Miller é mais violento e sombrio do que o original, com algumas pitadas de humor que Eisner explorava com muito talento. Mas, justiça seja feita, as mulheres escaladas para os papéis de vilãs não deixam nada a dever às sensuais bandidas de lábios carnudos e curvas generosas que reinam no mundo criado pelo desenhista. E com quem o herói sempre se envolve, mesmo que "involuntariamente", para desespero de sua ciumenta namorada, a loiríssima Ellen Dolan, filha do chefe de polícia (no filme, interpretada por Sarah Paulson).

Na história criada por Miller, Spirit (Gabriel Macht, de "O Bom Pastor") é um detetive durão que se esconde sob uma máscara para não ser reconhecido como Denny Colt, policial morto em confronto com bandidos, mas que ressuscita graças a uma substância inoculada em seu corpo pelo vilão Octopus (Samuel L. Jackson, de "Homem de Ferro").

Essa história é contada em flashback para explicar por que o personagem tem esse nome e porque combate o crime à sua maneira, sem os limites impostos pela corporação policial.

Octopus procura uma garrafa que contém uma substância que o tornará imortal e está prestes a ser encontrada no fundo de um lago por Sand Saref (Eva Mendes), ladra internacional de jóias e por quem Denny Colt foi apaixonado na adolescência. A aliada de Octopus é Silken Floss (Scarlett Johansson, de "Vicky Cristina Barcelona"), uma espécie de secretária gélida, mas eficientíssima.

Na perseguição a Octopus, mesmo contrariando os pedidos de prudência do comissário Dolan (Dan Lauria), Spirit começa a lembrar-se de cenas do passado. Aos poucos, vai ligar Sand Saref à sua amada da adolescência e entenderá porque ela entrou para o mundo do crime.

A médica Ellen Nolan (Sarah Paulson, que não se parece em nada com a deliciosamente ciumenta personagem do gibi), passa o tempo costurando Spirit depois das surras rocambolescas que leva dos criminosos e exibindo seu mau humor pelas escapadas amorosas do namorado.

Quem conhece a história original, sentirá falta de dois personagens centrais dos quadrinhos: a viúva negra P'Gell, que tem uma queda especial pelo herói, e Ébano White, um rapazinho negro e com forte sotaque sulista (ele é a cara do cineasta Spike Lee), seu motorista oficial. Ele leva Spirit em seu táxi pelas ruas e vielas escuras de Garden City e já o tirou de várias enrascadas.

(Por Luiz Vita, do Cineweb)

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