VENEZA ¿ Anne Hathaway tirou férias das comédias românticas que a tornaram famosa para mergulhar no papel de Kym, uma garota viciada em drogas que retorna para casa para o casamento da irmã, em Rachel Getting Married, de Jonathan Demme, filme em concurso na 65ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza.

O diretor Jonathan Demme e Anne Hattaway
na coletiva de "Rachel Getting Married" / AP

O longa-metragem mostra os preparativos do casamento de Rachel com um rapaz negro e a trama se desenvolve em um contexto trágico. Kym considera-se culpada pela morte do irmão, que faleceu em um acidente de carro enquanto ela estava sob efeito das drogas e, após se internar em uma clínica de reabilitação, a garota procura voltar ao seio familiar.

"Kym é o papel mais importante da minha carreira, a personagem mais complexa. Uma garota torturada psicologicamente, cheia de dificuldades. Mas eu não a vejo assim. Para mim, Kym é uma garota que procurava viver com honestidade a sua dor. Admiro a sua luta para encontrar um espaço na família, para confirmar a própria identidade. Nunca me importei com a opinião do público sobre ela. Tinha certeza de que a havia compreendido", ponderou Hathaway, conhecida por filmes como "O Diário da Princesa" e "O Diabo Veste Prada".

Segundo Demme, ele logo pensou na atriz quando recebeu o roteiro de Jenny Lumet. "Eu a tinha visto em uma cerimônia do Globo de Ouro há cinco anos e ela estava radiante. Já queria trabalhar com ela. Então, falei para ela escolher: Kym ou Rachel", contou o ganhador do Oscar por "O Silêncio dos Inocentes".

Demme rodou o filme pensando na linguagem do movimento Dogma 95, criado pelos dinamarqueses Thomas Vinterberg e Lars Von Trier. "Queria rodar sem ensaios e com atores dispostos a improvisar e renunciar o primeiro plano. Acredito que com esse método e a minha experiência nos documentários consegui rejuvenescer o filme", refletiu.

Hathaway, atualmente filmando a comédia romântica "Bride Wars" com Kate Hudson, também revelou que na semana passada foi a Denver para acompanhar a Convenção do Partido Democrata, que anunciou oficialmente a candidatura de Barack Obama.

"Os atores que falam de política não são bem vistos, mas eu o apóio e defendo. Olhando para as pessoas que participaram da convenção, finalmente vi aquilo que os Estados Unidos podem se tornar: o país da esperança de um mundo melhor", disse a atriz.

O cineasta e a protagonista vêem em "Rachel Getting Married" ¿ que tem um casamento inter-racial e a vontade de querer resolver problemas ¿ uma afinidade com o mundo promovido por Obama. "Nós filmamos antes (da candidatura), mas eu fico feliz que o filme possa ser uma inspiração, ser considerado um filme de Obama", declarou Hathaway.

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