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Em Gesto Obsceno , incidente de trânsito muda um homem

SÃO PAULO ¿ Gesto Obsceno, de Tzahi Grad, que estreia em São Paulo e no Rio na sexta-feira, não tem como tema o conflito entre judeus e palestinos, embora seja ambientado em Israel. Aqui, o interesse primordial é a natureza humana, explorada por meio de um indivíduo que, após um incidente de trânsito, não pode mais contar com o Estado para defender seus direitos nem preservar sua integridade física. Em condições extremas, até onde o ser humano pode chegar?

Reuters |

Quem responde é Michael Klienhous (Gal Zaid), homem introspectivo e deprimido que abandonou o emprego para se dedicar a um sonho: escrever um livro.

Há seis meses, ele se debruça sobre a obra que ainda não tem nenhuma linha escrita. As obrigações da casa ficam, então, a cargo da esposa Tamar (Keren Mor), que não parece nutrir nenhuma admiração pelo marido.

Na manhã que coincide com o feriado em memória do Holocausto, Michael sai para apanhar a esposa e o filho. Tamar demora a entrar no carro e, enquanto isso, permanece com a porta aberta em uma rua aparentemente tranquila da cidade. O motorista do veículo de trás fica impaciente e começa a buzinar. Tamar se irrita e mostrar-lhe o dedo, o tal gesto obsceno do título. Ofendido, o motorista avança e arranca a porta do carro de Michael.

Tendo anotado a placa do veículo, Michael vai à delegacia para prestar queixa, mas descobre que o agressor é Dreyfus (Asher Tzarfati), um gângster muito bem relacionado e praticamente intocável pelas vias legais.

Michael é aconselhado a arcar com o prejuízo e esquecer o assunto. Mas ele não se intimida e, com a ajuda do primo Chasmonai (Ya'ackov Ayali), decide falar pessoalmente com Dreyfus. No entanto, o infrator não parece interessado em discutir a questão e usará a força para espantar Michael, se for necessário.

O desfecho da trama é previsível no contexto do filme, mas nem por isso deixa de ser significativo. A cena final é semelhante a inúmeras outras que recheiam os noticiários internacionais, com a diferença de que o protagonista não é um terrorista, mas um cidadão comum. Esse é o único aspecto que faz de "Gesto Obsceno" uma obra relevante.

Michael é obrigado a usar a violência como recurso derradeiro quando o Estado não o apoia. O curioso é que, com o uso da força, ele ganha o respeito da família e reconquista a auto estima, há tempos perdida.

O roteiro é construído de maneira a suscitar no espectador certa empatia pela causa de Michael que, por fim, se transforma em cumplicidade. É se aproximando de uma vida em particular que o filme procura entender o que leva um homem a atitudes tão extremas.

Pode ser que haja um paralelo com a questão da Palestina. O impulso que leva Michael à violência tem a mesma raiz daquele que leva palestinos a atacarem judeus. Ambos sentem-se oprimidos, injustiçados e não podem recorrer ao Estado, restando-lhes fazer justiça com as próprias mãos.

O filme, premiado no Festival de Haifa, não faz apologia à violência nem a justifica, mas parece compreender os sentimentos humanos que impulsionam atos brutais

(Por Luara Oliveira, do Cineweb)

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