Em protesto, oposição ignora fala de Gabrielli na CPI

BRASÍLIA (Reuters) - Em minoria e alegando ter sido impedida de investigar a fundo as denúncias contra a Petrobras na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, a oposição não participou da audiência, nesta terça-feira, para o aguardado depoimento do presidente da estatal, José Sergio Gabrielli. O protesto foi feito por três senadores oposicionistas integrantes da CPI, que dizem não ter tido acesso a documentos, reclamam de troca de depoentes em cima da hora e de entraves colocados pelo governo às investigações.

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Assim, Gabrielli falou apenas para os senadores governistas nesta terça-feira.

"A CPI não existiu, o fato de ter sido instalada não significa que tenha atuado como CPI, serviu como comissão para ouvir depoimentos de interesse do governo", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) a jornalistas, do lado de fora da sala.

Ele disse que irá encaminhar as denúncias ao Ministério Público, já que, segundo ele, não puderam ser apuradas devidamente pela comissão. Só em uma sessão, 68 requerimentos foram arquivados, reclamou o senador.

A CPI da Petrobras foi instalada no dia 14 de julho, numa manobra oposicionista que se aproveitou de um descuido do governo.

O objetivo da comissão seria apurar denúncias sobre suposto superfaturamento nas obras da refinaria Abreu e Lima (PE), manobras fiscais para pagar menos impostos, supostas irregularidade em patrocínios, além de suspeitas de fraudes em licitações para serviços em plataformas.

A oposição tem prontas 18 representações para investigar as denúncias relacionadas à Petrobras, segundo Dias.

Já o relator da CPI, senador Romero Jucá (PMDB-RR), que deve entregar seu relatório em dez dias, afirmou que, assim como a oposição, pedirá um aprofundamento de investigações já existentes no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União.

"Se queria fazer representação, não precisava de CPI", disse Jucá, negando que o governo tenha dificultado as investigações.

GABRIELLI

O presidente da Petrobras disse no seu depoimento que a estatal realiza auditorias internas e externas quando detecta algum indício de irregularidade e que "todas as decisões (na empresa) envolvem centenas de técnicos".

"Não há projeto decidido por pessoa individual", ressaltou.

Mesmo assim, ele afirmou que desde 2000 até setembro de 2007, a Petrobras realizou 2.486 auditorias, destacando que a maioria dos processos tem sido arquivado pelo Tribunal de Contas da União.

Ele declarou também que a maioria das denúncias é apurada pela estatal antes mesmo de uma decisão final do tribunal.

"De 1.300 processos de indícios de irregularidade apenas 5 por cento existem até a decisão de plenário do TCU", disse Gabrielli.

(Por Maria Carolina Marcello)

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