SÃO PAULO - Moradores da favela Heliópolis, a maior da capital paulista, localizada na zona sul da cidade, realizaram novo protesto nesta terça-feira. A manifestação seria contra a morte de Ana Cristina de Macedo, jovem de 17 anos que foi atingida por suposta bala perdida na noite desta segunda. Segundo a Rádio CBN, um policial ficou ferido e oito a dez manifestantes foram presos.

AE
Ônibus é incendiado durante manifestação dos moradores de Heliópolis
Ônibus é incendiado durante manifestação dos moradores de Heliópolis

O protesto começou por volta das 18h. Ao menos três carros, três ônibus e dois microônibus foram queimados durante a manifestação. Os principais acessos à favela foram bloqueados. Ainda segundo a Polícia Militar, moradores atearam fogo em uma barricada na Praça Martins de Macedo.

A assessoria do Corpo de Bombeiros informou que há seis viaturas no local, mas duas delas foram danificadas e um bombeiro foi agredido com pedradas. O tumulto também dificulta o combate aos focos de incêndio.

Futura Press
Moradores da favela Heliópolis iniciaram novo protesto na noite desta terça

Investigação

A Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito para descobrir as causas da morte da estudante, que foi atingida durante troca de tiros entre a Guarda Civil Municipal de São Caetano do Sul e um suposto ladrão de um carro, na região da favela.

A polícia afirma que, durante patrulhamento no bairro da Vila São José, dois policiais viram um Ford Ka vermelho seguindo na contramão. Como o veículo teria parado após ligarem o giroflex, uma perseguição teve início. Um dos policiais teria atirado na roda do carro, que perdeu o controle e bateu em outro veículo, antes de parar, próximo à Igreja Santa Edwiges.

A versão policial relata ainda que o suposto ladrão correu para dentro da favela de Heliópolis, enquanto sua companheira permaneceu no carro e foi detida sem resistir. Durante a troca de tiros com o homem que saiu do veículo, Ana Cristina de Macedo foi baleada.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no 95º Distrito Policial de São Paulo, a vítima morreu no pronto-socorro do Hospital Heliópolis. Para os moradores do bairro, o tiro foi disparado por um dos guardas municipais de São Caetano.

Uma mulher que estava com suposto ladrão no Ford Ka vermelho foi detida sem reagir. A dona do veículo afirma que a mulher estava presente, mas não participou do roubo.

Protesto

Na madrugada desta terça, outro protesto havia sido realizado. Moradores montaram uma barricada de pneus e pedaços de madeira incendiados, a fim de obstruir a rua.

Agentes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) e do Grupo de Operações Especiais (GOE), auxiliados pela Polícia Militar (PM), tiveram de usar bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar os manifestantes. Dois deles foram atingidos, mas ainda circulavam, mesmo feridos, minutos depois entre os moradores. A população foi dispersada por completo por volta da 1h30.

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