O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou, em reunião com o colega moçambicano Armando Ermílio Guebuza, da diplomacia brasileira por causa de atraso no projeto de construção de uma fábrica de remédios contra aids em Maputo, capital de Moçambique, com US$ 10 milhões doados pelo governo brasileiro. Lula disse que projetos já aprovados demoram muito para acontecer, e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, respondeu argumentando que o atraso se deveu ao fato de ter sido feito antes um sério estudo de viabilidade da obra.

Aos jornalistas que cobrem a visita de Lula foi permitido ouvir a reprodução da conversa entre os dois presidentes e suas equipes. "Sei que o Celso (Amorim) fica se remoendo de raiva, mas eu sinto que as coisas de que tratamos e aprovamos demoram muito para acontecer. Em relação a essa fábrica: eu vim aqui em 2003, fizemos um ato já faz cinco anos." O chanceler brasileiro respondeu: "Desculpa, presidente, sem querer me defender, mas é que foi feito um estudo de viabilidade sério."

Lula acrescentou: "É que o mandato do presidente (de Moçambique) tem cinco anos. No tempo em que você tinha os faraós, os imperadores, as coisas aconteciam. Essa é uma inquietação que eu tenho. Não estranhe não, porque eu me queixo em todo lugar." Foi a vez do presidente de Moçambique endossar a queixa do brasileiro: "Eu concordo. A impaciência é própria daqueles que estão preocupados com os resultados concretos", afirmou Guebuza.

Ainda hoje, Lula participa de cerimônia na Praça de Heróis Moçambicanos e depois terá encontro com Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul. Após encontro com empresários, Lula encerra a visita a Moçambique com um jantar que será oferecido pelo presidente Guebuza.

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