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Em meio a tumulto, quase todos os bens de Abadía são vendidos em bazar em SP

SÃO PAULO - Os portões do bazar beneficente para vender artigos do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía foram fechados, nesta terça-feira, duas horas após serem abertos. De acordo com a organização, quase todos os artigos foram vendidos e os portões não devem mais ser abertos, contrariando as pessoas que, às 16h, ainda permaneciam na fila em frente ao Jockey Club. http://ultimosegundo.ig.com.br///multimidia//galeria_de_fotos/2008/04/08/bazar_em_sao_paulo_90668.htmlVeja galeria de fotos com alguns produtos que serão vendidos

Ana Freitas, repórter do Último Segundo |


O presidente da Fundação Julita, uma das entidades que será beneficiada pelo bazar, Lucien Delmonte, tentou acalmar as pessoas da fila. "Ele (Abadía) era um só, tinha só uma mulher e não tem bens suficiente para quem está aqui. As coisas já estão acabando", afirmou ao microfone na entrada do portão 6A. 

Ana Freitas/Último Segundo
De acordo com a estudante Fernanda Pinto, de 28 anos, que foi ao local para ajudar uma tia a levar as mercadorias compradas, às 15h30, havia uma longa fila também dentro do Jockey para entrar no recinto onde os bens estavam sendo vendidos. Ela revelou que os sócios do Jockey Club puderam entrar no bazar uma hora antes do público. "Vimos associados entrando e só depois a entrada foi liberada para o povo mesmo".

Segundo algumas pessoas que estavam na fila que se formou em frente ao local, a desorganização na entrada gerou uma confusão, os policiais tiveram que agir e usar spray de gás-pimenta. "Jogaram spray, teve empurra-empurra, trataram a gente que nem bandido", reclamou a dona de casa Helena Mota.

O major Elpídio, da Polícia Militar, responsável pelo policiamento no local, nega que a PM tenha agido com violência ou usado o spray.

Agência Estado
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Mulher desmaia durante tumulto no local
Os noivos Felipe Macrhiavescni e Andréa Aragão, que foram ao evento para comprar utensílios para a nova casa, saíram revoltados. Segundo o casal, eles estavam para entrar, quando o empurrra-empurra começou, um policial apareceu e jogou gás-pimenta. "Não conseguia respirar. Foi uma loucura. Eu vou processar essa organização", afirmou Andréa.

Terezinha Davidovich, presidente da Tenyad, umas das instituições que participam do evento, disse que o sucesso de público deve ser levado como uma experiência positiva. "É a primeira vez que um juiz apreende bens e os destina a comunidade. Se foi uma boa experiencia, haverá outras oportunidades".

O bazar estava marcado para acontecer até domingo, das 12h às 20h, e a entrada era gratuita. Ele foi usado para a venda de bens pessoais apreendidos na chamada "Operação Farrapos", que desarticulou uma organização internacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Entre os itens à venda, estavam 89 cuecas (R$ 1 cada), kit de pratos e copos da Hello Kitty, além de quadros, TVs de plasma, geladeiras, roupas, guitarra, patins, pé-de-cabra, garrafas de bebibas, filmadora e outras centenas de artigos.

De acordo com a Justiça Federal, excepcionalmente na quarta-feira haverá um leilão das 20h às 24h para bens de maior valor, como relógios, carros, canetas e bicicletas.

No dia 13 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, conceder a extradição do traficante colombiano para os Estados Unidos. A decisão foi encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que define se o traficante será extraditado ou não.

O caso

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Até as cuecas do traficante estão à venda
O traficante colombiano é o líder da organização criminosa deflagrada pela "Operação Farrapos" e praticou diversos delitos no Brasil, dentre eles, o de lavagem de valores e crimes contra a fé pública.

Após sua chegada no País, no ano de 2004, teria arregimentado diversas pessoas que asseguraram sua permanência clandestina no Brasil, com vistos em passaportes falsificados.

Segundo a Polícia Federal, mesmo escondido no País, Abadia não deixou de ser o todo-poderoso do cartel de drogas da Colômbia. Em uma das mensagens enviadas de São Paulo aos comparsas na Colômbia, o traficante alerta sobre a necessidade de mudar rotas da cocaína e autoriza a transferência de US$ 250 mil, que seriam para subornar autoridades da Colômbia.

A análise nos computadores de Abadia também revelou que ele fez nada menos que 78 plásticas no rosto e no corpo, durante os três anos de esconderijo no Brasil. Um criminoso de muitas identidades falsas e dono de um grande segredo. Peritos e policiais ainda não descobriram o paradeiro do dinheiro do traficante no Brasil: US$ 117 milhões, segundo as investigações.

Alguns dos outros denunciados também teriam participado de suas ações, auxiliando-o na aquisição de diversos bens móveis e imóveis com recursos ilícitos advindos do narcotráfico internacional.

Nos EUA, o traficante responde acusações por lavagem de ativos, associação para o tráfico internacional de drogas e homicídios.

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