Em meio a crise, Agaciel pede licença remunerada de 90 dias

BRASÍLIA - O ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, ingressou nesta quinta-feira com um pedido de licença de 90 dias, por assiduidade. Nesse período ele continua recebendo seu salário normalmente. O pedido coincide com o agravamento da crise no Senado e responsabilização do servidor pelos chamados atos secretos editados pela Casa, que esconderam contratações de parentes, criação de cargos e aumento de salários.

Severino Motta, repórter em Brasília |

No pedido de licença, Agaciel diz que foi um funcionário exemplar, tendo recebido elogio de diversos senadores e deputados, entre eles Darcy Ribeiro e Ulysses Guimarães. Diz ainda que o período fora do serviço se faz necessário para a preparação de sua defesa.

Agência Brasil
Agaciel foi diretor-geral do Senado por 14 anos
Além disso, o servidor cita o abalo emocional pelo qual ele e sua família estão passando. Sofrimentos causados à minha família, esposa e três filhos e a própria saúde de minha mãe, contando hoje com 82 anos.

No pedido, Agaciel ainda diz que vai ficar à disposição do Senado para esclarecimentos mesmo em seu período de licença.

A licença solicitada por Agaciel só vai ser dada devido ao longo tempo de Casa do servidor. Isso porque a Lei que autorizava a licença por assiduidade não mais existe e só podem se beneficiar dela os servidores que acumularam tempo de serviço antes do fim da legislação.

Agaciel pede perícia em assinaturas

Paralelamente ao pedido de licença, Agaciel encaminhou ao primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI), um pedido para que todas as suas assinaturas em atos divulgados pela imprensa sejam periciadas.

O pedido não revela o motivo das perícias e diz apenas que ele e seu adjunto assinaram cerca de cinco mil atos por ano para manter atualizada a movimentação de pessoal na Casa.

Pedido de demissão

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse nesta quinta-feira que o Senado deve abrir um processo administrativo pedindo a demissão de Agaciel. De acordo com ele, o advogado do Senado, Luis Fernando de Mello, lhe comunicou a abertura baseada em requerimento feito pelo parlamentar. A instauração do processo só não foi imediata pois a administração quer aguardar o resultado da comissão de sindicância que investiga os atos secretos, o que deve acontecer na segunda-feira.

Demóstenes ainda comentou que o pedido o leva a pensar que a comissão de sindicância também vai pedir a abertura de processo contra Agaciel, já que o aguardo para a instauração se dá para que todas as informações contra o servidor sejam unificadas.

Nesta tarde, Demóstenes ainda disse que o presidente do Senado deve se declarar impedido de analisar os processos contra Agaciel e contra o ex-diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi. Isso porque Sarney deixa de ser suspeito pela sua ligação afetiva com Agaciel para ter uma relação familiar no meio dos escândalos do Senado.

No serviço público, o presidente é quem dá a palavra final em processos administrativos. Antes ele era ligado afetivamente ao Agaciel, agora tem um parente suspeito de participar de esquema altamente corrupto.

Por isso, Demóstenes pede que Sarney se afaste da investigação dos processos contra Agaciel e Zoghbi, uma vez que ambos se envolveram com empresas terceirizadas pelo Senado. Deixe que o vice-presidente Marconi Perillo (PSDB-GO) conduza os processo.

Na terça-feira, o DEM vai reunir a bancada do Senado com a direção do partido para analisar se a sigla vai ingressar no movimento dos senadores que pedem o afastamento de Sarney da presidência.

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