Em discurso no Palácio do Governo da Ucrânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a parceria estratégica entre os dois países. Ele agradeceu o apoio do governo ucraniano para que o Brasil tenha assento permanente no Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas e defendeu a presença de todos os países na Conferência do Clima, em Copenhague.

Segundo o presidente, a parceria entre Brasil e Ucrânia não depende de ninguém, nem da União Europeia (UE), China ou Estados Unidos e nem do dólar, porque, segundo ele, os dois países poderiam trabalhar no comércio bilateral com suas próprias moedas.

Sobre a questão do meio ambiente, Lula fez questão de destacar que o Brasil tem 85% da sua matriz energética na área de energia limpa e 47%, totalmente limpa. Citou o compromisso de reduzir a emissão de gás entre 36% e 38%, além da redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020. Abordou ainda a mudança da matriz energética para a produção de ferro, que passará a ser feito com carvão vegetal e da política de biocombustíveis (etanol e biodiesel). Segundo o presidente, esta é apenas uma "pequena demonstração" do que o Brasil pode fazer. "Todos nós temos de contribuir para a redução do aquecimento global", ressaltou.

Lula alertou, no entanto, de que as responsabilidades do aquecimento são diferenciadas, e os países mais desenvolvidos têm mais responsabilidade do que os em desenvolvimento. "Portanto, em Copenhague, é o momento de ver quem está falando a verdade e quem não está. Quem está jogando para a plateia e quem está jogando para o aquecimento global", disse Lula.

Ao destacar o empenho do Brasil na redução do aquecimento global, o presidente cobrou dos países ricos a mesma posição. "Queremos ouvir quanto de dinheiro eles vão colocar para a transferência de novas tecnologias para os países em desenvolvimento não deixarem de se desenvolver, por conta de terem ampliado o efeito estufa", declarou.

Segundo o presidente, é importante que Brasil e a Ucrânia estejam presentes na reunião de Copenhague, assim como todos os países, "para que a gente comece a cobrar que cada um cumpra a sua obrigação". "Isso é que nem recolher lixo na casa da gente. Se cada um dentro de casa fizer uma coleta seletiva, ninguém vai ter problema. Mas se cada um se achar no direito de deixar o lixo na rua, não fizer a sua obrigação, vai ficar mais caro para todo mundo."

Lula disse que é preciso ter consciência de que as intempéries estão atingindo, de forma abrupta, todas as partes do planeta. Ele observou que tem gente que não acredita no que está acontecendo e acha que é melhor ficar esperando para tomar uma atitude. "É preciso se precaver, tomar uma atitude agora", alertou.

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