Em greve, delegacias atendem apenas a serviços essenciais

SÃO PAULO - O Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp) informou que a Polícia Civil de São Paulo entrou oficialmente em greve na manhã desta terça-feira, por volta das 8h. De acordo com o presidente do sindicato, João Rebouças, a paralisação já atingiu 70% dos distritos policiais do interior e 10% da capital paulista.

Redação |

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Ainda de acordo com Rebouças, as delegacias devem trabalhar com o efetivo de 80%, porém, só atenderão a casos de urgência, como sequestros, assaltos, assassinatos e flagrantes.

Serviços menos urgentes, como roubo e perdas de documentos, acidentes de trânsito sem vítimas e lesão corporal leve não serão registrados. Nossa intenção não é prejudicar a população, estamos lutando pelo que é nosso de direito, disse.

O sindicato reivindica um aumento salarial de 60%, melhores condições de trabalho e que as gratificações que recebem sejam incorporadas ao salário. Hoje nós temos gratificações, quando ficamos doentes ou nos aposentamos elas são cortadas. Em alguns casos perdemos até 45% do salário, reclama.

Rebouças reclama ainda da intransigência do governo. Aceitamos negociar. Até propusemos que os aumentos fossem dados anualmente 15% neste ano, 12% em 2009 e 12% em 2010, mas nem isso quiseram aceitar, completa.

Além disso, eles querem em uma segunda etapa a reestruturação da categoria. O governo oferece o investimento de R$ 500 milhões em reestruturação para as três polícias (Civil, Militar e Científica). Não houve acordo nas reuniões.

O outro lado

Segundo comunicou em nota a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os sindicatos escondem dos policiais os benefícios da proposta apresentada pelo governo e decretaram uma greve despropositada. Eles [os sindicatos] não querem dialogar. Optaram pela intransigência e pelo risco, informa o comunicado.

A SSP diz ainda que as reivindicações dos sindicatos representariam um acréscimo de R$ 3 bilhões à folha de pagamentos da Polícia Civil, hoje de R$ 7 bilhões anuais. Portanto, um aumento inteiramente fora da realidade orçamentária do Estado.

Esta é a segunda paralisação da polícia civil neste ano. No dia 13 de agosto, os policiais civis também pararam e o movimento durou apenas 7 horas. Na ocasião, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a suspensão da greve e marcou as primeiras reuniões de conciliação.

Mobilização

Rebouças informou que 30 representantes do sindicato fizeram uma mobilização em frente ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) ainda nesta terça-feira, por volta das 13h. De acordo com ele, o objetivo é fazer com que os outros policiais entendam a importância da greve.

Amanhã, por volta das 14h, será feita outra mobilização, desta vez em em Diadema, na Grande São Paulo. O objetivo, segundo Rebouças, é o mesmo, fazer com que os policiais participem da paralisação.

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