Em greve, 4 mil professores fazem assembleia em SP

Cerca de 4 mil professores da rede estadual de ensino estão reunidos na Assembleia Legislativa de São Paulo para decidir se será estendida em mais um dia a greve no sistema de educação do Estado, que começou na manhã de hoje. A paralisação da categoria tem como objetivo pressionar o governo de São Paulo a retirar dois projetos de lei que tramitam na Assembleia paulista, ambos enviados pelo governador José Serra (PSDB).

Agência Estado |

Um desses projetos autoriza concurso público para 60 mil vagas de professores no Estado e cria um curso de preparação para a seleção de professores. O outro, cria um novo plano de carreira para a categoria, com jornadas de trabalho de 40 horas e 12 horas semanais. O impasse entre o governo e a categoria se dá principalmente pela questão dos temporários, uma vez que para os professores o projeto "irá retirar direitos" da classe e "tornar precária a vida funcional". Os professores também reivindicam reposição salarial de 27,5%.

Depois da assembleia, os professores irão se reunir em audiência pública no auditório Juscelino Kubitschek, também na Assembleia Legislativa, e discutirão alternativas para o impasse. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) ainda não tem previsão de quantos professores entraram em greve.

Em evento da Secretaria da Educação na manhã de hoje, o titular da pasta Paulo Renato de Souza (PSDB) avaliou como "totalmente infundadas" as reivindicações da categoria. O tucano também frisou que "é impossível pensar em negociação salarial" em um cenário de crise financeira mundial.

A presidente do Apeoesp, Maria Izabel Noronha, rebateu as acusações de Souza em entrevista à Agência Estado . Segundo ela, são as palavras de Paulo Renato que são "infundadas", e não as reivindicações da classe. Maria argumentou que o número de professores em caráter provisório é maior do que poderia ser e que uma prova de seleção dos professores é interessante, mas não deve ser aplicado antes do docente ter tempo suficiente de sala de aula.

A presidente do Apeoesp também rebateu a afirmação do secretário da Educação de que não se pode pensar em reajuste salarial em tempos de crise econômica". De acordo com ela, é um erro do governo excluir a chance de negociação. "No mínimo, ele (governo) deve apontar o norte para ter uma mesa de negociação. É o que deve ser feito." Maria também alfinetou o governador do Estado e o secretário da Educação. "Para abrir canais de comunicação para anunciar projetos e obras, não há crise. Mas para negociar ajuste salarial eles não têm?"

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