Em Gana, Lula participa de reinauguração da Casa do Brasil

GANA - Os descendentes de escravos africanos que retornaram do Brasil para Gana pouco falam português, mas aprenderam a tocar o hino das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje (20), durante a reinauguração da Casa do Brasil, Lula foi recepcionado por uma escola de samba da comunidade Tabom ao som de Ole,Ola, Lula La, La.

Agência Brasil |

A Casa do Brasil foi a morada dos primeiros escravos retornados que, em Gana, fundaram a comunidade Tabom, hoje com 2 mil integrantes. A casa foi restaurada e transformada em espaço cultural e museu com investimetos de US$ 100 mil de empresas privadas brasileiras.

A restauracao do imóvel faz parte de um projeto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) de recuperação da Velha Acra.

"Os retornados souberam contornar o que o destino parecia ter-lhes reservado, com muito trabalho e muita esperança", disse Lula.

"Pessoas que nasceram escravas, mas compraram sua alforria; que viviam longe da terra de seus ancestrais, mas não desistiram de voltar para a África; que tinham tudo para se renderem, mas nunca abandonaram o sonho de viver com dignidade, com paz e com liberdade", ressaltou em sua segunda visita à comunidade Tabom - quando esteve em Acra, em 2005, ele foi homenageado pelos Tabom.

Do idioma que deu nome à comunidade, pouco sobrou. Algumas palavras como prego e camisa ainda integram o dialeto Ga-Mashi conta Akwer Moffet, professor de 48 anos que ensina português, espanhol e francês às crianças da comunidade.

"Estamos muito contentes porque há dois anos começamos a ensinar português para as crianças", diz o professor, que foi o mestre de cerimônias durante a inauguração da Casa do Brasil.

O Brasil é o país com o maior número de pessoas de origem africana do mundo. Oito em cada 10 brasileiros têm sangue africano. Dos 11 milhões de africanos enviados para as Américas entre 1550 e 1850, cerca de 5 milhões foram para o Brasil - em 1850, 41% da população do Rio de Janeiro era composta de escravos africanos. Muitos deles retornaram ao continente africano ao longo do século 19 e se instalaram principalmente em Gana, Benin, na Nigéria, e no Tongo.

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