Em Fortaleza, governo diz que ambulantes são ameaça sanitária

Prefeitura diz que não tem interesse em cadastrá-los porque nenhum deles segue normas mínimas de higiene

Thiago Mendes, especial para o iG |

Fortaleza, ano a ano, tem tentado oferecer serviços melhores aos turistas brasileiros e estrangeiros que chegam em número crescentes à cidade. O problema é fiscalizar os vendedores ambulantes: nenhum deles é credenciado. “Não há garantia. Não temos interesse de cadastrá-los porque nenhum atende às normas de vigilância sanitária”, afirma Mércia Albuquerque, chefe do distrito de Meio Ambiente e Controle Urbano da área da Praia do Futuro.

Do artesanato ao queijo coalho assado na hora, os ambulantes vendem de tudo. Fátima Queiroz, presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, conta que muitos clientes se sentem mal depois de ingerir alimentos dos ambulantes. Além das comidas, ela chama atenção para a venda de produtos de bronzeamento, que podem causar alergia. Outra irregularidade recorrente é a exploração do trabalho infantil na venda de ambulantes.

Já as barracas precisam de registro sanitário, obtido na prefeitura, para funcionar. A melhor forma de observar o cumprimento dessa norma é procurar o registro, que deve estar exposto na barraca. De acordo com Ivna Cidrão, chefe do distrito de Vigilância Sanitária da área, a maioria das barracas da Praia do Futuro, uma das mais famosas da cidade, tem registro sanitário e a fiscalização de rotina é feita uma vez por ano em todos os estabelecimentos. Qualquer pessoa pode fazer denúncias pelas ouvidorias da Prefeitura (0800 285 0880), Estado (151) e da Anvisa (0800 642 9782).

Passeio de bugue
Os cuidados com passeios de bugue devem ser tomados ao visitar praias próximas a Fortaleza, como Cumbuco e Prainha. Procure um profissional cadastrado pela prefeitura e credenciado por alguma cooperativa. O passeio é para, no máximo, quatro pessoas e o uso de cinto de segurança é obrigatório. Em outubro, uma turista portuguesa naturalizada francesa morreu em Canoa Quebrada, município de Aracati. Ela estava no banco de trás, sem cinto.

Brincadeira de criança
A faixa de praia é tranquila para a brincadeira de crianças porque não há travessia de veículos. Ainda para os pequenos, algumas barracas oferecem piscinas e brincadeiras com animadores. Mas é preciso estar alerta para assaltos na área próxima ao mar, no calçadão e nas paradas de ônibus. Outra dica de segurança é evitar os entornos das barracas desativadas, 40 no total, segundo Fátima. Segundo ela, as barracas abandonadas “representam um grande problema de segurança”.

Qualidade da água e preços
Antes de cair na água, é preciso verificar quais praias estão próprias para o banho. A consulta pode ser feita no site www.semace.ce.gov.br/servicos/praias/. Também é preciso estar atento aos preços. A pechincha é a regra. Caso passe mais tempo em Fortaleza, vale a pena deixar as compras para a feira noturna da avenida Beira Mar ou para o Mercado Central, onde podem ser encontrados preços melhores.

Barracas irregulares
A Praia do Futuro, na região leste de Fortaleza, abriga um complexo de aproximadamente 160 barracas de praia. Lá, enquanto o visitante toma banho de mar ou apenas descansa na sombra, é possível provar as delícias da culinária local, assistir a shows e ter acesso a serviços como passeio a cavalo e até massagem.

Mas, desde outubro, a permanência das barracas está ameaçada. Decisão da Justiça Federal no Ceará determinou a retirada de todos os estabelecimentos por ocuparem faixa de praia, onde construções são proibidas. A decisão, porém, não é definitiva. Os donos das barracas podem recorrer até janeiro no Tribunal Regional Federal (TRF), no Recife.

Para Fátima Queiroz, o que mantém o turista em Fortaleza são as barracas de praia. “Retirando, será criado um verdadeiro deserto público aqui”, aponta. Ela diz não haver consenso para um novo modelo para os estabelecimentos, mas defende que a padronização, em formato de quiosques, “iria descaracterizar a identidade” da praia.

André Oliveira, turista de Manaus, diz que a estrutura da Praia do Futuro “não tem em lugar nenhum” e que a praia é ideal para levar a família. “Aqui é diferente. A gente acaba ficando mais tempo”, completa André, acompanhado da esposa Marina e da filha Dominique. A pequena, de 4 anos, aproveitava o dia na praia para fazer “tererê” nos cabelos. Kathyana Buonafina, turista de Brasília, conta que as barracas ajudam a levar o filho Pedro de 2 anos e meio para a praia. “Para a gente é muito importante ter barraca. Se retirarem, vai fazer diferença na vinda dos turistas”, opina. Do lado da mãe e do pai, Pedro se divertia num passeio a cavalo na beira da praia.

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