Em evento do PAC, Lula admite temer Justiça Eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou, durante evento para dar ordem de serviço a empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ter receio de que a Justiça Eleitoral considere que sua participação em atos públicos como o de hoje seja inadequada para um presidente da República. Em discurso no terreno onde será construída a Universidade Federal de Osasco, com a presença de prefeitos, deputados estaduais e federais, e dos ministros Fernando Haddad (Educação), Márcio Fortes (Cidades) e Marta Suplicy (Turismo), além do governador José Serra (PSDB), Lula fez um desabafo ao atual prefeito da cidade, Emídio de Souza (PT).

Agência Estado |

"Emídio, está difícil lançar obras do PAC nesses tempos, quando estamos entrando em época de campanha", afirmou.

Lula esclareceu que visita os canteiros para acompanhar e cobrar a conclusão das obras, pois, caso contrário, o cronograma não é finalizado no tempo programado. Em seguida, alertou o público a respeito das manifestações durante o evento. Assim que chegou ao local, com 45 minutos de atraso, as pessoas que aguardavam a chegada do presidente entoaram músicas de apoio ao presidente. No discurso de Emídio de Souza, provável candidato à reeleição, os gritos foram substituídos por apoio ao atual prefeito de Osasco. O anúncio da presença da ministra Marta Suplicy recebeu tantos aplausos que o prefeito brincou: "Ainda bem que você não é candidata a prefeita em Osasco".

Já o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não contou com a mesma receptividade, e ouviu inclusive vaias de parte da platéia. "Isso não é legal", disse Lula, em referência às manifestações públicas sobre os prováveis candidatos a prefeito nas eleições deste ano. "Não podemos dar pretexto, razão ou motivação para que maus jornalistas escrevam sobre isso", acrescentou Lula. Ele enfatizou que quer a presença de Serra em todos os atos que participar no Estado de São Paulo e lembrou que ainda vai visitar diversas cidades brasileiras ao longo deste ano. "Para a gente ir, não pode ter clima eleitoral. Daqui a pouco, a Justiça Eleitoral diz que estou fazendo campanha", declarou. "Isso aqui é ato institucional. Quero essa compreensão para que a gente possa continuar viajando o Brasil independente do partidos dos governadores e dos prefeitos", reiterou.

O presidente afirmou que não faz distinção entre prefeituras e governos administrados por partidos da base aliada ou pela oposição. Como exemplo, Lula, que é torcedor do Corinthians, admitiu ter torcido para o Palmeiras ontem na primeira partida da final do Campeonato Paulista contra a Ponte Preta. Tudo por causa de seu filho caçula, que também é corintiano mas está trabalhando com Wanderley Luxemburgo, atual técnico do clube alviverde. "Todo mundo sabe que eu sou corintiano e, por incrível que pareça, eu torci ontem para o Palmeiras ganhar. Vejam o que um filho pode fazer com o pai", brincou.

Obras

Durante o evento, o presidente disse que as obras do PAC devem ficar prontas entre 2010 e 2012, mas sugeriu o lançamento de um novo PAC com obras que sejam concluídas até 2016. De acordo com ele, trabalhar com planos de longo prazo é a melhor forma de resolver os problemas do País. "Se pensarmos só no mandato da gente, vamos fazer apenas curativos, e não uma cirurgia", declarou.

Lula disse também que a criação da Universidade Federal de Osasco só foi possível em função da insistência do deputado João Paulo Cunha (PT), ex-presidente da Câmara e um dos 40 réus no caso do mensalão. "Se não fosse pelo companheiro João Paulo, essa universidade não saía. Ele ia todas as semanas infernizar o ministro Haddad em seu gabinete", disse.

Serra parecia bem à vontade ao lado de Lula, que o chamou de "meu caro amigo". Lula disse que o governador foi a Osasco por sua insistência, pois tinha outros compromissos marcados. Serra retribuiu os elogios com cordialidade. "O presidente sabe que eu e Emídio somos de partidos diferentes, mas ele, como eu, é palmeirense, e torcemos para que o Corinthians volte para a primeira divisão", declarou.

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