Em encontro reservado, Lula pede moderação a Chávez

O presidente Luiz Inácio Lula toma hoje café da manhã com o colega venezuelano Hugo Chávez antes da abertura oficial da reunião extraordinária dos presidentes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), às 10 horas. Sozinhos na suíte presidencial do luxuoso hotel onde os 12 presidentes da organização estão hospedados, na cidade argentina de San Carlos de Bariloche, a 1.

Agência Estado |

600 quilômetros de Buenos Aires, Lula vai reiterar a Chávez pedido para moderar o tom durante os debates com o colombiano Álvaro Uribe.

Em sintonia com os esforços de Lula, a cidade foi preparada com cartazes com a frase "Bariloche respira paz". A preocupação do presidente brasileiro é de que Chávez transforme a cúpula em um palco de batalha contra Uribe e o governo dos Estados Unidos por causa da cessão de uso de bases colombianas aos norte-americanos.

Ontem, ainda em Brasília, Lula telefonou para Chávez, em Caracas, e pediu cautela nas discussões com Uribe. Fontes oficiais explicaram que "o objetivo de Lula é de aproximar posições entre Brasil e Venezuela, e evitar o aumento de tensões entre os países vizinhos". Lula lidera os esforços para reduzir as tensões criadas pelo acordo, que prevê o direito do uso de pelo menos sete bases colombianas por militares norte-americanos.

A preocupação é com a reação de Chávez, que poderia elevar o grau de tensão na reunião. O venezuelano publicou ontem um longo artigo no jornal argentino "Página 12" no qual adverte os colegas sul-americanos de que os EUA e a Colômbia possuem um "plano político e militar orquestrado para acabar com a Unasul". Lula considera a reunião de cúpula hoje fundamental para consolidar a Unasul como um bloco capaz de apresentar medidas concretas para administrar temas relevantes para os países envolvidos e estabelecer a confiança mútua entre os vizinhos.

'Documento secreto'

O presidente brasileiro quer que os debates ocorram em um tom tranquilo e que possam fortalecer a região e seus mecanismos como os conselhos sul-americanos de defesa e de combate ao narcotráfico. Não só Chávez, como Evo Morales, da Bolívia; Rafael Correa, do Equador; e a própria Cristina Kirchner, a anfitriã argentina, costumam subir o tom de discursos quando o assunto é atacar os EUA.

Nos últimos dias, Chávez argumentou que a presença militar dos EUA na Colômbia coloca a região "à beira da guerra". Ele desembarcou ontem à noite no aeroporto de Bariloche prometendo divulgar um "documento secreto que revela as reais intenções do imperialismo ianque para a região". Já o colombiano adiantou que quer explicações sobre o acordo de cooperação que o Brasil mantém com a França, e os recentes acordos militares entre a Venezuela, Rússia, China e Irã.

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