Em dez anos, esperança de vida ao nascer aumentou 3,4 anos

O aumento absoluto e relativo da população idosa no Brasil é conseqüência do crescimento da esperança de vida ao nascer combinado com a queda do nível geral da fecundidade. De fato, a esperança média de vida ao nascer no País era, em 2007, de 72,7 anos de idade. É o que mostra a síntese dos indicadores sociais de 2007, divulgada pelo IBGE na penúltima semana de setembro.

Redação |

A vida média ao nascer, entre 1997 e 2007, cresceu 3,4 anos, com as mulheres em situação bem mais favorável que a dos homens (73,2 para 76,5 anos, no caso das mulheres, e 65,5 para 69,0 anos, para os homens). Em decorrência, a taxa bruta de mortalidade que representa a freqüência com que ocorrem os óbitos em uma população, caiu de 6,60 ¿ (mais de 6,6 mortes por mil habitantes), em 1997, para 6,23 ¿ (6,2 mortes por mil habitantes), em 2007.

A taxa de mortalidade infantil continua em declínio, passando de 35,20% (35,2 por mil) para 24,32%, entre 1997 e 2007. O Rio Grande do Sul foi o Estado que registrou a menor taxa de mortalidade infantil (13,50%) e Alagoas, com 50%, apresentou a mais elevada em 2007.

Em 2007, o Brasil tinha 6,7 milhões de pessoas morando sozinhas e 40,8% delas eram idosas

O crescimento da proporção de pessoas que viviam sozinhas (8,3% para 11,1%) é uma tendência verificada desde 1997, fruto da redução das taxas de mortalidade e do aumento da esperança de vida, especialmente para as mulheres. Em 2007, entre cerca de 6,7 milhões de famílias unipessoais existentes no País, 40,8% eram formadas por pessoas de 60 anos ou mais.

O valor médio mensal do rendimento familiar per capita em 2007 era R$ 624. Entretanto, metade das famílias vivia com menos de R$ 380, por mês, o valor do salário mínimo em 2007. Regionalmente, a distribuição de renda no País continua desigual: metade das famílias nordestinas viviam com até R$ 214, enquanto no Sudeste o rendimento mediano era de R$ 441.

Crescimento da população de idosos representou mais que o dobro do crescimento da população total

Em 2008, a Síntese analisou as diferenças entre as condições de vida dos idosos na cidade e no campo e constatou: dos quase 20 milhões de idosos com 60 anos ou mais (10,5% do total da população), 16,5 milhões viviam na área urbana e 3,4 milhões na área rural.

Na região metropolitana de São Paulo havia, em 2007, 2,1 milhões de idosos, enquanto na região metropolitana do Rio de Janeiro, eram 1,7 milhão (14,7% do total da população da região metropolitana do Rio de Janeiro).

Quase metade do total de idosos das áreas rurais do País moravam na região Nordeste (1,6 milhão), enquanto em áreas urbanas, a região Sudeste concentrava 8,7 milhões de idosos. Enquanto a população brasileira apresentou, no período de 1997 a 2007, um crescimento relativo da ordem de 21,6%, para a faixa etária de 60 anos, este crescimento foi de 47,8%, chegando a 65%, no grupo de idosos de 80 anos ou mais.

A região Sudeste concentrava quase metade (9,4 milhões) dos idosos com 60 anos ou mais do País, seguida pela região Nordeste (5,1 milhões de idosos) e Sul (3,2 milhões). Centro-Oeste (1,2 milhão de idosos) e Norte (1 milhão) reuniam grupos relativamente menores nesta faixa etária.

Em São Paulo morava, em 2007, o maior contingente de idosos do País (4,7 milhões), seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais (com aproximadamente 2,2 milhões), e Bahia (1,4 milhão). Roraima (21 mil), Amapá (32 mil) e Acre (39 mil) concentravam os menores grupos de pessoas com 60 anos ou mais.

2,5 milhões de idosos viviam em situação de pobreza, dos quais cerca de 1,2 milhão no Nordeste

De acordo com a Síntese, poderiam ser considerados em situação de pobreza, mais de 2,5 milhões de idosos (12,2%) no País, que viviam em domicílios cujo rendimento médio mensal domiciliar per capita era de até ½ salário mínimo. O percentual de idosos que moravam em domicílios nesta faixa de rendimento nas áreas rurais chegava a 20,2% do total de idosos destes locais, enquanto nas áreas urbanas era de 11,1%.

A região Nordeste (24,2%) alcançou a maior proporção de idosos em situação de pobreza e a Sul (6,5%), a menor proporção. Em números absolutos, os maiores grupos de idosos de 60 anos ou mais em situação de pobreza moravam na Bahia (334 mil), Minas Gerais (265 mil) e São Paulo (248 mil).

O maior contraste urbano/rural ocorria na região Sudeste (6,8% / 16,1%), e o menor na Região Sul (6,3%/7,1%). Em contrapartida, considerando a faixa de rendimento mensal domiciliar de mais de 2 salários-mínimos per capita, a proporção de idosos nas áreas urbanas (26,5%) era mais de três vezes superior a da área rural (8,1%).

Aumento da esperança de vida resulta nas famílias intergeracionais

A Síntese de Indicadores Sociais 2008 investigou o fenômeno das famílias intergeracionais, decorrente do aumento da esperança de vida, que possibilita a convivência de até três gerações em um mesmo domicílio.

De acordo com a SIS, excluindo-se os domicílios de um só morador e aqueles de casal sem filhos, chega-se a cerca de 9,7 milhões e 38 milhões de moradores. Destes moradores, aproximadamente 30,2% eram crianças, adolescentes e jovens (0 a 24 anos); 36,2% tinham entre 25 a 59 anos; 29,1% tinham entre 60 a 79 anos; e 4,6% tinham 80 anos ou mais de idade.

Regionalmente, o Norte e Nordeste, locais onde o número médio de filhos é maior, as proporções de crianças e jovens de 0 a 24 anos são superiores, 41% e 36%, revelando que o fenômeno da convivência intergeracional é ainda mais intenso.

Em 53% dos domicílios com idosos, eles são responsáveis por mais da metade da renda familiar

A contribuição dos idosos, em 53% dos domicílios com idosos, representa mais da metade do total da renda domiciliar, sendo esta situação ainda mais expressiva no Nordeste (63,5% dos domicílios). Em 2007, 84,4% dos 13,8 milhões de idosos com 65 anos ou mais recebiam aposentadoria e/ou pensão, proporção esta já alcançada, em 1997.

Eram 61,2% aposentados, 14,8% pensionistas e 8,4% aposentados e pensionistas no total do país. A proporção de idosos residentes em áreas rurais que recebem benefícios era um pouco superior à urbana (88,0% e 83,6%).

Nas regiões Nordeste e Sul, as diferenças eram mais acentuadas. A proporção de idosos aposentados que recebem pensão cresceu no período de 1997 a 2007: 4,6% para 8,4%. Na área rural da região Sul, o percentual dos que recebem os dois benefícios alcançou 19,4%, em 2007. Os idosos brasileiros com 65 anos ou mais que continuavam trabalhando eram 22,5% (cerca de 3,1 milhões de idosos), em 2007, sendo que a grande maioria (74,7%) eram aposentados. Na área rural, estes percentuais eram 46,9% e 84,9% e na área urbana 17,6% e 70%.

Existem mais idosas do que idosos nas cidades e mais idosos do que idosas no campo

A Síntese confirmou que o número de mulheres é superior ao de homens tanto no total do País quanto nas áreas urbanas, enquanto nas áreas rurais há mais homens que mulheres.

No total, havia em 2007, 79 homens para cada 100 mulheres idosas de 60 anos ou mais. No grupo de 65 anos ou mais, eram 76 para cada 100, chegando a apenas 72 homens para cada 100 mulheres, na faixa de 70 anos ou mais. Nas áreas rurais, a razão de sexo era de 107 homens para cada 100 mulheres, enquanto nas áreas urbanas, era de 75 homens para cada 100 mulheres.

A região Sul possui a maior diferença entre os sexos, (67 homens para cada 100 mulheres), seguida de perto pelo Sudeste (69 homens para cada 100 mulheres). Esses números resultam da migração rural/urbana feminina ser superior a masculina (as idosas dirigem-se com maior freqüência às cidades para residir com filhos/netos ou parentes) e pelo fato dos homens terem maior presença em atividades tipicamente rurais.

Mais da metade dos idosos das áreas rurais não tinham instrução ou tinham menos de um ano de estudo

A Síntese revelou que a proporção de idosos de 60 anos ou mais sem instrução ou com menos de 1 ano de estudo, em 2007, era de 32,2% no país, sendo de 27,5% no total das áreas urbanas e 55% entre os idosos moradores de áreas rurais. Mais da metade (52,2%) dos idosos do Nordeste pertencia a essa faixa de escolaridade.

No Norte, o percentual era de 45,9% dos idosos, seguido por Centro-Oeste (36,9%), Sudeste (22,8%) e Sul (21,5%). O Piauí (58,2) era a unidade da federação com maior percentual de idosos sem instrução ou com menos de 1 ano de instrução, enquanto Rio de Janeiro (15,9%) apresentava o menor percentual. No Sul, as diferenças de percentuais de idosos com baixa escolaridade nas áreas urbanas (20,5%) e rural (25,5%) são menores que nas outras regiões, por exemplo o Nordeste urbano (40,6%) e rural (70,0%).

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