Em depoimento, Dantas nega ter mandado grampear adversários empresariais

BRASÍLIA - O banqueiro Daniel Dantas negou nesta quarta-feira, em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas, que tenha sido o mandante dos grampos telefônicos de adversários empresariais. De acordo com Dantas, a Telecom Itália foi quem contratou a empresa de investigação Kroll para investigar se houve alguma ilegalidade no valor imposto pela Justiça para a compra da Companhia Riograndense de Telecomunicações, disputada pela Brasil Telecom e pela Telecom Itália, empresas sócias na época.

Redação com agências |


"A Brasil Telecom [na época controlada pela Telecom Itália, pelo grupo Opportunity, comandado por Dantas, e por fundos de pensão] contratou a Kroll por ser a mais requisitada da área", disse Dantas.

Para resolver a disputa entre as duas empresas, a Justiça determinou que a CRT deveria ser vendida por US$ 800 milhões. Quem venceu a disputa foi a Brasil Telecom, que havia oferecido US$ 750 milhões e teve de pagar US$ 50 milhões a mais pela companhia.

Segundo Daniel Dantas, a Telecom Itália contratou a Kroll para investigar para onde teriam ido esses US$ 50 milhões. "Os US$ 800 milhões saíram dos cofres da Brasil Telecom e foram para os cofres da Telefonica da Espanha, e daí podem ter tido destinos distintos. A função da Kroll era investigar se esse dinheiro teria tido um destino ilícito", explicou Dantas, que afirmou, ainda, que a Kroll teria sido contratada em outras ocasiões pela Telecom Itália, uma delas durante a época da privatização.

Depoimento

Com direito obtido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de ficar calado, Dantas chegou por volta das 14h20 à Câmara dos Deputados. Com a liminar, o banqueiro pôde escolher quais perguntas deve responder. O STF também determinou que Dantas não fosse preso nem incriminado pelas declarações que desse.

Dantas disse que é réu em três ações: uma, por ter contratado a empresa Kroll com o objetivo de espionar autoridades do governo e empresários; outra, por contratar escutas telefônicas clandestinas; e a terceira, que refere-se à Operação Satiagraha, da Polícia Federal, na qual ele é acusado de crimes financeiros, corrupção e formação de quadrilha.

No depoimento, os deputados tentaram extrair de Dantas a confirmação de que o banqueiro contratou a empresa Kroll para espionar empresários concorrentes, além de autoridades do governo.

O banqueiro é a terceira pessoa ligada à Operação Satiagraha a ser ouvida na CPI, que já ouviu o juiz federal Fausto De Sanctis, que decretou a prisão de Dantas, e o delegado afastado da Operação Satiagraha Protógenes Queiroz.

Com informações da Agência Brasil

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