Em debate no STF, maioria defende cotas raciais

Quem defende a adoção de políticas de cotas raciais para ingresso em universidades públicas praticamente dominou o primeiro dia da audiência pública promovida nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o assunto. Dos 13 expositores de hoje, apenas 3 posicionaram-se contra as cotas raciais.

Agência Estado |

A audiência pública, que continua nesta semana, servirá de base para o julgamento de uma ação na qual o DEM contesta a política de cotas raciais adotada pela Universidade de Brasília (UnB). Ainda não há previsão de quando essa ação será julgada pelo plenário do STF.

Os expositores foram poupados de ouvir as manifestações do público, que era majoritariamente formado por defensores das cotas e assistia à audiência por meio de um telão instalado no andar superior ao local onde estavam as autoridades.

Mas da sala onde ocorria a audiência era impossível ouvir os comentários do público. A secretária de Ensino Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci, afirmou que melhorar o ensino como um todo não reduz a desigualdade existente entre os níveis de escolaridade de brancos e negros. Mas, segundo ela, a adoção de ações afirmativas têm sido eficiente.

A secretária informou que no primeiro ano os cotistas têm desempenho inferior aos estudantes oriundos de escolas privadas. Porém, essa diferença cai e no final do curso o desempenho é praticamente uniforme, de acordo com Maria Paula.

O diretor de cooperação e desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Mário Lisboa Theodoro, apresentou dados para demonstrar a existência de desigualdade entre brancos e negros. Entre eles, citou as diferenças dos salários recebidos por brancos e negros. O diretor do IPEA contou que até hoje 52 mil estudantes negros foram beneficiados pela política de cotas. "Isso significa que são 52 mil profissionais que vão disputar em igualdade de condições os melhores postos de trabalho", disse.

O ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, Edson Santos de Souza, afirmou que a cota não é uma panaceia nem uma solução definitiva para o problema da redução da desigualdade. "Cota é um instrumento que vai oferecer uma perspectiva de futuro para uma parcela expressiva de nosso povo, de jovens negros que sonham com a universidade, em formar-se nas mais diferentes áreas biomédicas, tecnológicas e humanas e cabe ao Estado assegurar isso à população", disse.

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