Em Curitiba, Scliar e Cony defendem que romance precisa se adaptar

CURITIBA ¿ Dois dos maiores escritores da atualidade no país dizem: é fato, o romance terá de se adaptar para continuar a atingir seu público. Moacyr Scliar e Carlos Heitor Cony participaram neste sábado (29) da mesa redonda ¿O romance morreu, viva o romance¿, na I Bienal do Livro de Curitiba, que contou também com o professor de literatura luso-brasileira Nelson Vieira.

Luiz Felipe Marques, especial para Último Segundo |

Para Scliar, um dos possíveis rumos do gênero está na mudança de formato e temática, que devem, necessariamente, passar por alterações. Não teremos mais esse romanções compridos. Será mais parecido com a chamada novela, localizada (quanto ao tamanho) entre o conto e o romance.

Divulgação

Moacyr Scliar, Carlos Heitor Cony, Márcio Renato dos Santos e Nelson Vieira em Curitiba

As modificações previstas para a narrativa também são impactantes. Segundo Scliar, os livros do gênero passarão a ter uma relação maior com a problemática contemporânea do brasileiro, além de contar com uma linguagem que, sem deixar de ser literária, terá de se tornar mais acessível às pessoas.

Cony apresenta uma visão semelhante, acreditando que não há mais espaço para um romance de 500 páginas. Salvo exceções, nas quais se conseguiria aliar conteúdo e forma num livro longo, estas criações estão quase impossíveis hoje, reitera o cronista.

Ele ainda enxerga outras dificuldades na atual produção de romances, que estariam ligadas à distribuição dos livros e à diminuição da procura pelo gênero. Um exemplo é maior facilidade em publicar um livro ¿ devido ao grande número de editoras e o baixo capital necessário ¿, mas que não necessariamente torna menos complicada a tarefa de fazê-lo chegar aos leitores. Já quanto ao interesse, Cony ressalta que a diversificação de mídias e meios de entretenimento diminuiu representativamente a busca e o consumo pelos livros, que hoje estariam muito abaixo de sua oferta.

Histórias de vampiros

Conseguindo, até o momento, cumprir o objetivo de apresentar a diversidade de gêneros e autores, a I Bienal do Livro de Curitiba apresentou um bate papo à parte neste sábado. O autor convidado foi André Vianco, conhecido por seus livros de góticos, de fantasias e terror.

Não apenas no debate, mas também para a sessão de autógrafos, a presença de Vianco chamou dezenas de leitores, intrigando os demais visitantes da feira que não conheciam o escritor e seus livros.

Por escrever obras com viés sobrenatural já há dez anos, o escritor não estranha nem faz críticas a séries como Crepúsculo, de Stephenie Meyer, sucesso entre adolescentes por todo o mundo, com mais de 55 milhões de cópias vendidas.

Mesmo tratando-se de diferentes perspectivas dentro de enredos fantasiosos, Vianco disse que o interesse por seus livros aumentou consideravelmente com a série escrita por Meyer. Os leitores de Crepúsculo e outros livros parecidos gostam e continuam a se interessar pelo tema e pelos meus livros, mesmo que não sigam a mesma linha da série. Acho isso completamente positivo, coloca.

Vianco já está escrevendo seu próximo livro, o qual pode ficar pronto até o final do ano. O enredo, dessa vez, será sobre anjos.

Neste domingo, a bienal apresenta como atrações centrais um bate papo com o escritor e ensaísta Antônio Cícero e também a mesa redonda Verso, reverso transverso: ainda se ouve o eco poético, que conta com a presença de Antonio Carlos Secchin, Ivan Junqueira, além do próprio Cícero. A I Bienal do Livro de Curitiba vai até o dia 04 de setembro.

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