Em crise, PT paulista tenta driblar opção Ciro Gomes

Por Carmen Munari SÃO PAULO (Reuters) - O PT reagiu à divulgação de uma candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo paulista reafirmando que terá um candidato próprio, sem eliminar o diálogo com os partidos aliados. Também criou um mecanismo para formalizar os contatos com outras legendas com o objetivo de driblar o apoio não oficial de petistas a Ciro.

Reuters |

Ciro, que afirmou ter sido incentivado pelo deputado federal e líder da bancada do PT, Cândido Vaccarezza (PT-SP), admitiu na semana passada que está pensando em disputar a eleição paulista.

A iniciativa causou forte impacto no PT --que tem ao menos seis nomes interessados na disputa, mas nenhum ainda de consenso-- e levou à convocação de emergência de reunião da Executiva ampliada nesta segunda-feira.

A bancada estadual levou nota ao encontro em defesa da candidatura própria. Por trás das discussões está a necessidade de criar um palanque forte no Estado para a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão presidencial.

"O fato de o PT construir um candidato não significa que o PT não queira conversar, seja com o PSB, seja com Ciro", explicou a jornalistas Edinho Silva, presidente do PT estadual.

Para o partido, a iniciativa de petistas de colocar o nome de Ciro na mídia não foi bem aceita. "A polêmica foi mais no método do que no mérito", analisou Edinho, para quem conversas pela imprensa, sem passar pelo partido, merecem críticas.

Vaccarezza, presente à reunião de quase quatro horas, não confirmou diretamente estar patrocinando o nome de Ciro. Também negou que tenha sido cobrado por isso no encontro partidário.

"Me sinto muito lisonjeado de ser respeitado pelo Ciro e se ele quiser ser candidato em São Paulo nós vamos discutir", disse o deputado, para em seguida emendar: "Nunca conversei com ele sobre esse assunto" ou "não podemos ser arrogantes e desqualificar nomes de outros partidos aliados".

O deputado José Mentor (SP), no entanto, confirmou que esteve há cerca de um mês com Ciro, para tratar da candidatura, acompanhado por Vaccarezza e por Devanir Ribeiro, também deputado.

"Fui em nome pessoal, não falamos em nome do PT", registrou Mentor. Outro aliado, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), também acredita em uma candidatura Ciro e afirma que ela só não será aceita se o PT não quiser.

Com o objetivo de coordenar os contatos com as legendas aliadas e evitar que os encontros pessoais se tornem oficiais, o PT definiu na reunião a criação de uma comissão composta pelo presidente estadual e os líderes das bancadas na Assembléia, na Câmara e no Senado.

O senador Aloizio Mercadante (SP), líder da bancada, não descartou a co-existência de duas candidaturas. "Pode ser uma solução, mas acho que antes dessa solução temos que trabalhar com outra, que é uma unidade desses partidos em torno de uma candidatura só", disse.

Permeou a discussão um sentimento de que não convém ao PT iniciar as articulações sobre a candidatura paulista já com um nome à frente (como o de Ciro) senão o outro candidato que surgir será considerado de "segunda linha", segundo um dos participantes do encontro.

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