O DEM oficializou hoje em convenção a candidatura do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto a prefeito de Salvador. O bispo evangélico Márcio Marinho, do PR, será o candidato a vice-prefeito na chapa, apoiada pela Coligação A Voz do Povo, que integra, além de DEM e PR, PRB, PTN, PRP, PSDC, PT do B e PTC.

O clima festivo dominou a convenção do DEM, que reuniu cerca de 600 militantes.

Apoiados nas últimas pesquisas eleitorais, que dão a ACM Neto a liderança na corrida pela prefeitura, os principais interlocutores da legenda no Estado estavam otimistas. "Estamos convictos que vamos fazer uma bela campanha e que vamos ter uma grande vitória", afirmou o ex-governador e presidente do DEM na Bahia, Paulo Souto.

"Neto vai trazer o novo a Salvador", afirma o presidente nacional da legenda, Rodrigo Maia. "Ele tem 28 anos e, talvez, seja o deputado mais talentoso da nova geração." A coligação que apóia a candidatura do DEM é tida como a mais controversa da eleição soteropolitana. O partido conquistou o apoio do PRB, que tinha como pré-candidato o apresentador Raimundo Varela, que liderava as pesquisas de intenção de voto, e o PR. Ambos pertencem à base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Até poucos dias antes do anúncio do apoio ao DEM, o PRB, do vice-presidente José Alencar, negociava com o PSDB para ter Varela como vice, na chapa comandada pelo ex-prefeito Antonio Imbassahy. O PR tratava com o PT a possibilidade de entrar no secretariado estadual baiano em troca de apoio ao pré-candidato petista, Walter Pinheiro.

Surpresa

O anúncio do apoio dos dois partidos ao DEM causou surpresa no meio político. Como resultado, o católico praticante ACM Neto vai ter o bispo evangélico Marinho como vice. Ele já confirmou presença em alguns cultos da Igreja Universal do Reino de Deus, para angariar votos. Hoje, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), criticou a aliança entre DEM e PR. Em entrevista a uma emissora de rádio local, afirmou que a parceria, em Salvador, é "um desaforo" a Lula. No governo federal, o PR comanda o Ministério dos Transportes e ACM Neto é o líder da oposição na Câmara.

No plano estadual, porém, o partido é presidido pelo senador e ex-governador baiano César Borges, que se desligou do DEM e foi para o PR no ano passado. "Mesmo que o partido tivesse optado por outra candidatura, meu coração estaria com os colegas com quem convivi na política baiana", diz Borges.

Wagner elegeu Neto como principal adversário da base aliada na corrida pelo Palácio Thomé de Souza. "Ele representa o retrocesso, representa tudo o que a gente luta contra", afirma. O governador não descarta subir no palanque de outros candidatos que não o do PT, caso o adversário no segundo turno seja o neto do ex-cacique da política baiana Antonio Carlos Magalhães - mesmo no caso de ser o ex-carlista e atual presidente do PSDB baiano, Antonio Imbassahy, atual vice-líder nas pesquisas.

O candidato do DEM promete revidar. Na convenção, ACM Neto deixou claro que a campanha será focada no principal ponto fraco da atual administração estadual, a segurança pública, e que não se deixará influenciar por disputas políticas se for eleito. "Salvador precisa de um prefeito com pulso firme", afirma. "Meu lema vai ser menos gastos e mais resultados."

Convenção

A convenção do DEM, na qual também foi anunciada que a coligação terá 300 candidatos a vereador, foi a segunda de formalização de candidaturas à prefeitura de Salvador. No domingo, o PMDB oficializou a chapa formada pelo atual prefeito, João Henrique Carneiro, candidato à reeleição, e pelo tributarista e ex-prefeito Edvaldo Brito (PTB), que concorre como vice. PDT, PP, PSC, PSL, PHS e PMN também integram a coligação majoritária.

Entre os principais concorrentes ao executivo soteropolitano, PSDB e PT realizam as convenções no próximo dia 28. Os tucanos oficializam, na data, a candidatura de Imbassahy, que vai ter como vice o economista Miguel Kertzman (PPS). Já no caso do PT, ainda não há definição de quem será o vice na chapa. A maior probabilidade é que seja Lídice da Mata, pré-candidata do PSB à prefeitura. O acordo - que, comenta-se, já teria sido feito -, porém, desagrada a outro parceiro histórico dos petistas, o PC do B, que tem como pré-candidata a vereadora Olívia Santana.

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