Em cerimônia de premiação enxuta, 36° Festival de Gramado quer menos badalação e mais cinema

GRAMADO - O aguardado frio da serra gaúcha não chegou, e a noite de premiação do 36° Festival de Cinema de Gramado, neste sábado (16/08), começou quente mesmo. E assim permaneceu. Apesar das mudanças que vêm sendo feitas no conceito do evento nos últimos três anos para diminuir a badalação e aumentar o debate sobre cinema, a tietagem resiste. Mas não esteve em primeiro plano.

Fabio Prikladnicki |

Desde o final da tarde, uma multidão se juntou dos dois lados das cercas de metal que isolavam o tapete vermelho por onde desfilaram as estrelas - e também os anônimos que conseguiram ingresso para assistir à cerimônia, em seus 15 segundos de fama, em direção ao Palácio dos Festivais.

No meio do caminho, a dupla Vesgo e Sílvio, do Pânico na TV (eles mesmos recebidos como celebridades), vestidos de gaúchos, e o homem de preto Rafael Cortez, do programa CQC, provocaram os artistas. Passaram pelo tapete nomes como Tarcísio Filho, Daniela Escobar, Rosamaria Murtinho, Marcos Paulo e Leandra Leal.

Do lado de dentro, a cerimônia de entrega dos kikitos foi enxuta. Terminou em cerca de uma hora e meia, e parece que ficou bem. No início, um susto: durante a premiação dos curtas-metragens, a energia caiu por pouco mais do que um minuto, e o público ficou sob iluminação de emergência.

Luzes restabelecidas, os atores Bárbara Borges e Marcio Kieling fizeram nova entrada para apresentar os melhores curtas. E o salto de um dos sapatos de Bárbara quebrou. Será uma vingança?, brincou ao microfone, engatando um rápido diálogo em que os dois aproveitaram para fazer publicidade de Vingança, de Paulo Pons, filme em que atuam (e que não levou nenhum kikito).

Os dois longas-metragens brasileiros mais elogiados durante a mostra competitiva foram contemplados, mesmo que A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele, tenha ganhado o prêmio especial do júri, e não o kikito de melhor longa-metragem brasileiro, o prêmio mais cobiçado, que ficou com Nome Próprio, de Murilo Salles.

Matheus, no entanto, subiu ao palco mais vezes: seu filme levou dois Troféus Cidade de Gramado por ter sido o melhor na opinião da crítica e do júri popular. Quando falou ao microfone, homenageou Dorival Caymmi, falecido neste sábado. Pediu para que a técnica abaixasse o som e conclamou a platéia a cantar junto Maracangalha.

Domingos Oliveira foi escolhido o melhor diretor de longas brasileiros, troféu que fez justiça a Juventude, exibido na quinta-feira, o filme mais aplaudido pela platéia entre os concorrentes da mostra competitiva.

Na premiação dos longas estrangeiros, ficou clara a intenção de Gramado em se consolidar como um festival latino-americano. Os dois únicos concorrentes da categoria filmados fora das Américas - a produção luso-brasileira localizada em Portugal (e falada com sotaque de lá) O Mistério da Estrada de Sintra e o documentário cabo-verdiano Mindelo - Atrás de Horizonte - foram ignorados pelo júri oficial e ficaram sem nenhum kikito.

O colombiano Perro Come Perro, de Carlos Moreno, que surpreendeu positivamente durante o festival, perdeu o troféu de melhor filme estrangeiro para o mexicano Cochochi, de Israel Cardenas e Laura Amelia Guzman. Moreno (que não estava presente) ficou com o de melhor diretor.

Em meio à distribuição dos kikitos, foram lembradas as personalidades homenageadas este ano em Gramado, que haviam passado pelo tapete vermelho durante a semana: os atores Renato Aragão (Homenagem Especial da Cidade de Gramado) e Walmor Chagas (Troféu Oscarito), o cineasta Júlio Bressane (Troféu Eduardo Abelin) e o diretor cubano Julio García Espinosa (Kikito de Cristal), que não pôde comparecer ao festival por motivos de saúde.

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