Em cartas, pai e madrasta de Isabella afirmam inocência

SÃO PAULO - O pai de Isabella, Alexandre Nardoni, de 29 anos, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, de 24 anos, escreveram cartas nas quais se dizem inocentes em relação à morte da garota, que caiu do sexto andar de um prédio da zona norte de São Paulo, no sábado à noite. O repórter Roberto Cabrini, da TV Record, teve acesso na noite de quarta-feira aos documentos, que teriam sido dirigidos à imprensa, e leu na íntegra as cartas hoje, ao vivo, no programa Hoje em Dia.

Redação com Agência Estado |

No programa, Cabrini disse que as cartas foram escritas à mão, são autênticas e foram feitas antes da decretação oficial da prisão dos dois. Além das cartas, também foram exibidas oito fotografias da criança com o casal. Numa delas, Isabella aparece ao lado do pai e em outra, com a madrasta, sugerindo um bom relacionamento entre todos.

Em sua carta, o pai de Isabella diz que, na condição de pai de três filhos, pode dizer, "sem dúvida, que a Isabella é o maior tesouro da sua vida". "Quando me dei conta que tinha perdido minha Isabella, senti naquele momento que o meu mundo acabou, não sei como caminhar. Todos estão me julgando sem ao menos me conhecer. Não faria isso com ninguém, muito menos com minha filha. Amo a Isabella incondicionalmente e prometi a ela, em frente ao seu caixão, que, enquanto vivo, não sossego enquanto não encontrar esse monstro (assassino da filha)", diz.

O pai de Isabella afirma ainda que ele e a mulher não se pronunciaram antes porque acreditavam "que o caso seria solucionado". "Nós não somos os culpados e ainda encontrarão o culpado. Desta forma, não precisaríamos mostrar nossa imagem porque o nosso sofrimento é muito grande. Só que nos acusam e queremos mostrar o que realmente estamos sentindo. A verdade sempre prevalecerá".

Já a madrasta de Isabella, em sua carta, conta quão bom era o relacionamento entre a menina e os outros dois filhos do casal. "Amo ela, como amo aos meus filhos. Tenho minha consciência tranqüila do carinho com que sempre a tratei", acrescenta.

No final, Anna Carolina Jatobá repete a afirmação do pai de Isabella, de que não haviam se pronunciado antes porque acreditavam "que o caso seria solucionado". "Somos inocentes e a verdade sempre prevalecerá", finaliza.

Polícia decreta prisão temporária

O juiz Maurício Fossen, do Segundo Tribunal de Justiça de São Paulo, decretou na noite de quarta-feira a prisão temporária de Nardoni e Anna Carolina por suspeitas de envolvimento na morte de Isabella.

A prisão foi decretada para que o casal não prejudique as investigações, que prosseguem tanto na área da polícia científica quanto na busca de novas pistas no prédio onde ocorreu a morte da menina.

Segundo o advogado Ricardo Martins de José Filho, o casal deve se apresentar às autoridades ainda nesta quinta-feira.

Na quarta-feira pela manhã, a mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, prestou depoimento de 2h15 no 9º Distrito Policial, no Carandiru.

Nova perícia

Peritos do Instituto de Criminalística (IC) voltaram na noite de quarta-feira ao Edifício Residencial London, na Vila Mazzei, zona norte, em busca de mais provas que ajudem a esclarecer a morte de Isabella.

Reprodução
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Delegado pediu a prisão do casal após mãe depor
Ao chegarem, às 19h40, os investigadores foram diretamente para a garagem do prédio, onde estava estacionado o Ford Ka de Alexandre Nardoni e Anna Carolina. O veículo foi utilizado pelo casal e os dois filhos, Pietro e Cauã, além de Isabella, momentos antes do ocorrido no sábado.

Com a ajuda de reagentes químicos e uma luz especial - chamada de luminol - procuraram vestígios de sangue no veículo. Em seguida, a equipe do IC subiu até o apartamento 62 e por mais de duas horas fotografou, mediu e inspecionou cada centímetro da janela do quarto onde Isabella caiu. Também foi aplicada luminol em outras dependências do apartamento.

O sargento da Polícia Militar Luiz Carvalho, um dos primeiros a chegar ao local do crime, conversou com a imprensa e contou que quando chegou no prédio a garota ainda estava viva. Segundo ele, ela estava deitada de bruços na grama, tinha um pouco de saliva na boca e mexeu a pálpebra algumas vezes.

Carvalho afirmou que o pai falou que viu uma pessoa dentro do apartamento arremessando o corpo da filha. Ele disse também que o pai estava muito nervoso e aflito e que não chegou a ver o rosto da madrasta.

Os peritos utilizaram um boneco do tamanho de uma criança para indicar o exato local em que Isabella foi encontrada ao cair do prédio, ao lado de uma palmeira, num gramado, na frente da guarita do porteiro.

Polícia realiza perícia no edifício; assista ao vídeo

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira que eram divorciados. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, estudante.

No sábado, foi encontrada morta no jardim do prédio do pai. A polícia descartou a hipótese de acidente e acredita que a garota tenha sido assassinada. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que há fortes indícios de que ela tenha sido jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

A polícia afirmou que vai aguardar os laudos dos exames periciais, que ficarão prontos em cerca de 30 dias, para esclarecer as circunstâncias da morte. O delegado vinha afirmando que Nardoni e Anna Carolina não eram suspeitos. A reconstituição do caso não tem data confirmada, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública.

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