Em carta entregue à Comissão de Anistia, Dilma homenageia mulheres vítimas da ditadura

BRASÍLIA - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, enviou carta nesta sexta-feira para a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça ressaltando que as mulheres vítimas da ditadura, apesar das adversidades, conquistaram a liberdade para construir uma nação mais democrática.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Gostaria de dizer que apesar da perigosa travessia que fizemos continuamos no nosso caminho. Não capitulamos ante as adversidades. Conquistamos a liberdade para construir a nação democrática de nossos sonhos, disse trecho da carta assinada pela ministra, que foi presa e torturada durante os anos de chumbo no Brasil.

A mensagem de Dilma foi entregue a uma turma especial só de conselheiras da Comissão de Anistia, que irá julgar hoje apenas processos de mulheres ex-militantes que atuaram contra a ditadura instalada em 1964. Os julgamentos fazem parte da 9ª Anistia Cultural, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher - comemorado em 8 de março.

Viemos para fazer valer os valores éticos que inspiram nossas lutas histórias pela justiça social e pela liberdade. Que esses valores continuem alimentando nossos sonhos de uma vida melhor para toda a nação, conclui a ministra na mensagem.

De acordo com a vice-presidente da Comissão de Anistia, Sueli Belato, o julgamento de hoje homenageia mulheres de todo o mundo que não se calaram e não se calam diante de qualquer forma de repressão. Quando a tirania invadiu lares, fábricas, escolas e igrejas, as mulheres comprometeram suas vidas, seus projetos e marcharam juntas com os que gritavam por liberdade e justiça para todos, ressaltou.

Casos

A Comissão de Anistia irá julgar nesta sexta-feira 17 processos de vítimas da ditadura e familiares. Dentre eles, da ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VRP) Denise Crispim, presa quando estava grávida de seis meses, que conseguiu a liberdade em troca da prisão do marido ¿ morto nos porões do DOI-CODI logo depois.

Outros casos são as de Danielle Ardaillon (presa e espancada em 1971, ficou detida por 55 dias sem contato com o filho, portador de necessidades especiais); Iara Xavier Pereira (perseguida política, teve os irmãos e o companheiro assassinado em 1968); e ainda Marília de Carvalho Guimarães (comunista, conhecida pelo codinome Mirian, foi torturada no Deops, no Rio de Janeiro).

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