Em carta, Battisti pede que Itália mostre seu lado cristão ao julgá-lo

BRASÍLIA - O senador José Nery (PSol-PA) leu nesta quinta-feira, no plenário do Senado, uma carta de defesa do ex-ativista político Cesare Battisti escrita ao povo brasileiro, na qual ele se diz ¿amedrontado e desarmado frente à hostilidade, ao ódio rancoroso¿ que manifestam seus adversários.

Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias |

Cesare Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália sob acusação de ter assassinado quatro pessoas entre 1978 e 1979, quando era integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Preso na penitenciária Papuda, em Brasília, desde 2007, ele recebeu o status de asilado político no Brasil concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, em janeiro.

Na carta, Battisti reconhece ter feito parte de uma página da história que foi escrita a sangue, suor e lágrimas. Mas diz não conseguir pensar em si como alguém capaz de fazer um centésimo do que o atribuem, como terrorismo e assassinato.  Eu gostaria de gritar a verdade ao povo italiano e brasileiro, mas como fazer isso?, lamenta.

AP

Battisti preso no Brasil em 2007

O ex-ativista pede ainda que a Itália mostre seu lado cristão na hora de julgá-lo. Vivemos numa era democrática. Será que não chegou a hora da Itália mostrar seu lado cristão? Pois o perdão é um ato de nobreza.

Nunca é tarde para um gesto de nobreza, a exemplo do Vaticano, em reconhecer sua atividades durante a inquisição. A caça às bruxas acabaram!, diz Battisti, que conclui a carta assim: a sociedade sofre muito mais com a prisão de um inocente do que com a absolvição de um culpado.

O caso de Cesare Battisti será levado a julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) nas próximas semanas. Quem relata o processo é o ministro Cezar Peluso.

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