Em busca de credenciais para o Congresso, CQC grava em Brasília

BRASÍLIA ¿ Uma equipe do programa de jornalismo irreverente CQC, da TV Bandeirantes, está em Brasília gravando imagens para o quadro CQC no Congresso. Em frente ao parlamento, o repórter Rafinha Bastos reuniu cerca de 50 pessoas para apoiá-lo na busca por credenciais de imprensa, que dão acessos aos deputados e senadores.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

A campanha "CQC no Congresso" começou há duas semanas. No início do ano, a equipe conseguiu fazer algumas reportagens no Congresso, e chegou a entrevistar o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que, além de expressar seu amor pelo cantor Bob Dylan, revelou ter usado maconha durante a juventude. 

Com a exibição das matérias, tanto a Câmara quanto o Senado cassaram as credenciais da equipe. A alegação foi que o programa não é jornalístico, mas sim humorístico. Com isso, a equipe lançou a campanha "CQC no Congresso", e busca o apoio popular para conseguir novamente as credenciais.

De acordo com o repórter Rafinha Bastos, que grava o quadro nesta quinta-feira em Brasília, o CQC é, sim, jornalístico. "Mas fazemos isso de uma maneira irônica e bem humorada". Esse formato, segundo ele, "está assustando as figuras políticas", que deveriam aprender "a usar essa nova linguagem".

Rafinha, com 1,90 metro de altura e magro como um maratonista (para fazer uma matéria ele passou 30 dias comendo somente os itens da cesta básica), disse que, renegado no Congresso, se sentiu tolhido no direito de informar a população e fazer críticas aos parlamentares, o que contraria a liberdade de imprensa.

"Nunca imaginei que perderia a credencial para entrar no Congresso. Tudo aqui é uma incógnita. Nós queremos trabalhar, perguntar e criticar", explicou. 

Apesar da campanha, que colhe assinaturas eletrônicas enviadas por e-mail em todo o País, a volta do CQC ao Congresso é incerta. Os presidentes da Câmara e do Senado preferem não se posicionar sobre o assunto e manter a negativa às credenciais, que é uma prerrogativa dos primeiros-secretários em ambas as casas. 

Além disso, a presença do CQC não é querida por grande parte dos repórteres setoristas de Congresso. A reportagem conversou com alguns dos profissionais de imprensa no parlamento e o que mais ouviu foi o receio de perderem entrevistas. O argumento é que o tom jocoso do programa supostamente afugentaria os parlamentares.

O programa CQC é uma franquia internacional e é exibido na Itália, Espanha e Argentina. No Brasil, ele é transmitido nas noites de segunda-feira.

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