Em busca da gravidez em dose dupla Por Eduardo Diório São Paulo, 20 (AE) - Depois que as mulheres começaram a disputar o espaço no mercado de trabalho com os homens e, paralelamente, com o desenvolvimento de métodos anticoncepcionais seguros - que permitiu que elas definissem o momento ideal para engravidar -, muitas passaram a ter filhos mais tarde, em torno dos 35 anos. Na cola dessa decisão, surgiu o problema da infertilidade e, em alguns casos, a solução passou a ser a inseminação artificial.

Mas, hoje em dia, as futuras mamães não querem mais ter somente um filho. Elas querem gêmeos.

"Nunca tive a intenção de engravidar. Vivia focada no meu trabalho e achei que seria assim para sempre. Depois que conheci o meu marido, percebi que queria ter filhos, mas já era tarde demais", lembra a diretora financeira Juliana Marinho, de 42 anos. Mãe dos gêmeos André e Ricardo, de dois anos, disse ao médico que queria dois filhos de uma só vez para facilitar a vida dela. "Ele falou que só Deus poderia fazer isso por mim."

No caso de Juliana, Ele até que deu uma forcinha, mas, na maioria das vezes, a dupla maternidade não acontece. "Ter gêmeos é como se fosse um acidente de percurso. Cerca de 10% a 15% das pacientes, ocasionalmente, têm dois ou três filhos na mesma gestação", explica Raul Nakano, especialista em reprodução humana pelas universidades de Kanazawa e Keio, no Japão, e diretor clínico da Ferticlin. Segundo ele, "a técnica prefere que seja uma criança por vez, pois é mais seguro para a gestante".

A publicitária Regina Anéas, de 44 anos, não teve a mesma ‘sorte’. "Lembro que tive vontade de engravidar quando os filhos da Fátima Bernardes (apresentadora do Jornal Nacional, da ´Rede Globo´) nasceram. Eu queria gêmeos, trigêmeos. Fiz inseminação e só consegui gerar uma criança. No fim, foi bom. Cuidar de criança exige muito tempo", revela.

Tanto Juliana quanto Regina fazem parte dos números da pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade): em São Paulo, em um período de 10 anos (1995-2005), houve um aumento de 2,3% em relação ao número de filhos de mães entre 35 e 39 anos, comparados aos 10 anos anteriores.

COMO FUNCIONA A INSEMINAÇÃO
Existem diversos tratamentos para reprodução, principalmente para as mulheres mais velhas, já que idade e fertilidade são inversamente proporcionais. No caso da inseminação, o objetivo é depositar os espermatozóides, após um processo de melhoramento, nas trompas. "Após três tentativas, a chance de gravidez para uma mulher de 35 anos pode aumentar até 50%", diz Joji Ueno, especialista em reprodução humana, diretor da Gera e responsável pelo Setor de Histeroscopia Ambulatorial do Sírio Libanês.

Esse tipo de procedimento ainda é muito caro. O Setor de Reprodução Humana do Hospital São Paulo é um dos poucos lugares que realiza tratamentos com valores mais baixos. "As pessoas só pagam pelos medicamentos ou serviços não custeados pelo SUS", explica Renato Fraietta, um dos médicos responsáveis. No programa ( 0800-7723-322), por inseminação, o casal gasta cerca de R$ 2 mil .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.