BRASÍLIA - Por incrível que pareça, Cesare Battisti interpretou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de extraditá-lo para a Itália como uma ¿vitória¿. Da cela que ocupa no presídio da Papuda, em Brasília, enviou um bilhete para a reportagem do iG com a seguinte análise: ¿Considerando todas as forças que se uniram contra mim, vejo a decisão como uma vitória. A justiça e a história estão do meu lado e confio na decisão do presidente Lula¿. Confira abaixo o texto escrito de próprio punho.

Battisti passa a maior parte do seu tempo com a leitura de livros levados por seus visitantes. Na cela, diz um amigo que o vê na prisão mensalmente, ele tem uma mini biblioteca. Emagreceu nove quilos. Embora aliviado e confiante, Battisti é hoje uma pessoa abatida física e psicologicamente. Em greve de fome há uma semana, diz ser sua única forma que tem de se expressar, afirma o advogado Luis Roberto Barroso, que defendeu o italiano no Supremo. 

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O caso Battisti se arrasta na Justiça brasileira há dois anos. No mundo, há mais de 30. Encaminha-se agora para o último capítulo, que caiu no colo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Será de Lula a última palavra. Só o presidente da República pode rever ou confirmar a decisão de ontem do Supremo de extraditar Battisti, atendendo ao pedido do governo italiano. Se mandá-lo para a Itália, Battisti cumprirá 30 anos de prisão. Se ficar, viverá livremente.

A expectativa da defesa de Battisti é que o presidente Lula ratifique a avaliação política feita por seu próprio governo de que não há clima de mandar Battisti para a Itália, diz Barroso. O tratado Brasil/Itália, no artigo 3, afirma que tanto o presidente brasileiro e o italiano façam uma avaliação política sobre conceder ou não a extradição.

Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália sob a acusação de ter cometido quatro assassinatos no final dos anos 70. Na época, o país, como todo mundo, fervilhava com movimentos radicais de jovens de esquerda contra governos de direita, muitos ditatoriais. Ele foi julgado à revelia em 1993, quando estava refugiado na França. Passou por outros países antes de ser preso pela Polícia Federal no Brasil em 2007.

Battisti solicitou refúgio político ao Conare (Comitê Nacional para os Refugiados). O pedido foi negado em primeira instância. Mas, em janeiro deste ano, o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu, após o recurso da defesa, o pedido do italiano. Com a decisão do Supremo, ele espera vitória na ultima instância: a caneta do presidente Lula.

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