Em áudio, Protógenes acusa imprensa e nega grampo no STF

BRASÍLIA - A falta de comunicação por parte do delegado Protógenes Queiroz sobre o desencadeamento da Operação Satiagraha, sob seu comando, foi uma das razões para o seu afastamento, conforme indica o áudio da reunião que determinou sua saída do caso. O material foi disponibilizado nesta terça-feira pelo jornalista Ricardo Noblat em seu blog.

Sarah Barros, Último Segundo/Santafé Idéias |

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    A operação culminou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e do megainvestidor Naji Nahas, entre outros, em julho deste ano, por envolvimento em crimes contra o sistema financeiro.

    Atualmente, Protógenes é investigado por cinco crimes cometidos no curso da operação: quebra de sigilo funcional, desobediência, usurpação de função pública, prevaricação, grampos e filmagens clandestinas.

    Na conversa, Protógenes diz que não informou seus superiores sobre a realização da operação porque desejava manter o sigilo da ação. Ele também nega que tenha avisado a imprensa sobre as prisões. No dia da prisão, cinegrafistas da TV Globo acompanharam os policiais no ato das prisões. O delegado Carlos Eduardo Pellegrini Magro, subordinado a Protógenes, disse na reunião que não avisou sobre a lista de prisões sob ordens do juiz Fausto de Sanctis e que a operação explicitava corrupção no alto escalão dos três poderes.

    O delegado afirma ainda que a atuação de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria sido requisitada de maneira informal e que teria servido apenas para a confirmação de endereços.

    A participação da agência culminou na demissão da cúpula do órgão e em uma investigação para apurar o nível de envolvimento dos agentes. Ao contrário do que foi dito por Protógenes, a Abin teria tido acesso a equipamentos de interceptação telefônica por meio de senhas de policiais federais.

    O delegado fala também sobre parte das investigações que teria descoberto a preparação de um habeas corpus (HC) no STF em favor de Dantas, mas nega que tenha feito o monitoramento de conversas do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.

    Segundo Protógenes, a PF deveria desconfiar da mídia, a quem acusou de atuar em favor de Dantas e predisse acusações de que ele seria responsável por grampos contra Mendes.

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