Em 24 horas, mortes por chuva no Rio superam as registradas durante verão em SP

A forte chuva que atinge o Estado do Rio de Janeiro desde a noite de segunda-feira já matou 95 pessoas, um número acima do registrado nos últimos quatro meses em São Paulo. Segundo a Defesa Civil do Estado, de 1º de dezembro de 2009 a 31 de março de 2010, 78 pessoas morreram por causa dos temporais em municípios paulistas.

iG São Paulo |



Segundo o geólogo Paulo Morais, professor da Pontifícia Universidade de São Paulo, a topografia do Rio de Janeiro explica a diferença entre os números de cada Estado. Os deslizamentos de terra, responsáveis por 44 das 78 mortes registradas durante o verão em São Paulo, são mais comuns no Rio.

"A ocupação irregular nas encostas do Rio acontece em intensidade muito maior do que em São Paulo, onde os deslizamentos ocorrem em áreas mais afastadas", afirma Morais. "Se o Rio enfrentasse meses de chuva constante, como aconteceu em São Paulo, o número de mortes seria infinitas vezes maior".

Marcio Marques

Desmoronamento no Rio Comprido

Em janeiro, mais de 50 pessoas  morreram por causa de fortes chuvas em Angra dos Reis, no litoral do Rio. Na madrugada do dia 1º, parte da pousada Sankay e sete casas vizinhas, na Praia do Bananal, foram soterradas.

No Morro da Carioca, em Angra, pelo menos 20 casas foram atingidas por um deslizamento de terra. Segundo o chefe de Relações Públicas da Defesa Civil de Angra dos Reis, Francisco Júdice, 65% da ocupação da cidade é em áreas de encosta.

Ocupações

Nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontou o risco nas ocupações inadequadas do Rio . "Os administradores públicos devem levar em conta que não é possível que as pessoas ocupem áreas inadequadas para morar. É preciso antever isso, tomar cuidado para não acontecer. Pensar em outros locais para as pessoas morarem", disse Lula a jornalistas após reunião com o governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), no hotel Copacabana Palace.

"Se você pegar todas as enchentes brasileiras, elas atingem sempre as pessoas pobres, que moram em locais inadequados", completou.

Na entrevista, Lula disse mais de uma vez que esta é maior quantidade de chuva que atingiu o Rio. "Não existe ser humano no mundo, no planeta terra, que consiga enfrentar uma mudança de clima com essa, que é a maior da história do Rio de Janeiro", afirmou.

"Quando há uma chuva dessa magnitude, a única coisa que resta fazer ao prefeito, ao governador e à Defesa Civil é pedir para que as pessoas saiam das áreas de encosta, saiam da área de risco e esperar a chuva parar para que a gente possa começar a resolver os problemas", disse Lula.

Volume histórico

A prefeitura do Rio afirmou que a chuva é a maior já registrada na capital fluminense. De acordo com dados divulgados durante a coletiva de imprensa do prefeito Eduardo Paes, em menos de 24 horas foram 288 milímetros de precipitação.

Segundo a prefeitura, na chuva histórica que destruiu a cidade em 1966, quando morreram mais de 140 pessoas, choveu 245 milímetros em 24 horas. Em 1988, foram 230 milímetros e em 1996, 201 milímetros.

"Foi o maior volume de chuvas relacionadas a enchentes já registrado em nossa cidade. Tivemos a chuva forte somada à maré alta e ressaca, o que agravou a situação. Para se ter uma ideia, o nível da Lagoa Rodrigo de Freitas que normalmente é de 50 centímetros foi a 1,40 metro. É claro que ninguém nega que existam deficiências e problemas estruturais, mas não há galeria pluvial limpa que segure este volume de água", afirmou Eduardo Paes.

Na chuva de janeiro de 1966, deslizamentos de terra nas favelas causaram mais de 140 mortes. Os cariocas enfrentaram racionamento de gás, energia e água, contaminada por esgoto transbordando das galerias de águas pluviais. Até o carnaval ficou ameaçado, e quase não saiu naquele ano.


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