Em 2009, desemprego cresceu e brasileiro ficou mais velho

Pnad capta magnitude da crise sobre o desemprego em todo o País. Pesquisa Mensal de Emprego (PME) era limitada a seis capitais

Sabrina Lorenzi, iG Rio Janeiro |

A primeira fotografia completa do País na crise global mostra um brasileiro mais vulnerável do que se calculava. O desemprego aumentou e o nível de ocupação diminuiu. Sequelas que só puderam ser dimensionadas a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), radiografia de abrangência nacional que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta quarta-feira. O mercado de trabalho sofreu arranhões entre 2008 e 2009, mas continuou abrindo vagas e remunerando melhor. Para tirar o Brasil da rota da carteira assinada, só se fosse uma "baita de uma crise", o que não chegou a acontecer por aqui, segundo Cimar Azeredo, um dos gerentes da pesquisa.

A magnitude da crise sobre o desemprego não havia sido captada pela outra pesquisa do IBGE sobre mercado de trabalho. Na Pesquisa Mensal de Emprego (PME), a média da taxa de desocupação pouco oscilou entre 2008 e 2009, passando de 7,9% para 8,1% da população economicamente ativa. Diferentemente da Pnad, que é anual e alcança todo o País, a PME se limita às seis maiores capitais e é realizada mensalmente.

A desigualdade entre ricos e pobres continuou recuando em 2009. Programas sociais e outras transferências governamentais ajudaram a reduzir a concentração de riquezas. Com mais renda disponível, a população que antes não tinha acesso a bens como televisão, máquina de lavar, computador e telefone passou a tê-los em casa. De 2008 para 2009, o acréscimo no número de domicílios com posse de algum tipo de telefone, por exemplo, foi de 2,1 milhões, e dos que possuíam somente telefone móvel celular foi de 2,5 milhões. De 2004 para 2009, a proporção de domicílios que tinham telefone no total de domicílios investigados passou de 65,2% para 84,3%. E a proporção de domicílios que possuíam somente telefone móvel celular passou de 16,5% para 41,2%.

Automóveis e motos também se tornaram mais acessíveis, assim como o uso da internet. Em 2009, o contingente de pessoas de 10 anos ou mais que declararam ter utilizado a Internet (67,9 milhões) cresceu 21,5% , representando um acréscimo de 12 milhões de pessoas em relação a 2008 (55,9 milhões). O DVD existe em 72% dos lares, mais presente do que rede de esgoto.

A Pnad mostra um brasileiro avançando mais em consumo, mas limitado em questões como saneamento e educação. O percentual de domicílios com rede coletora ou fossa séptica ligada à rede coletora diminuiu suavemente, de 59,3% em 2008 para 59,1% em 2009. O dado mostra que as obras de infraestrutura no País não acompanharam o crescimento do número de domicílios neste período - da ordem de 1 milhão.

O abastecimento de água e a coleta de esgoto também pouco avançaram. O analfabetismo ficou praticamente estagnado - são 14,1 milhões de analfabetos, segundo o retrato da Pnad.

O período de referência da Pnad é de 27 de setembro de 2008 a 26 de setembro de 2009. A pesquisa investigou 399.387 pessoas em 153.837 domicílios em todo o país, abordando temas como educação, trabalho, acesso a bens e a infraestrutura, aspectos da população, entre outros.

O envelhecimento da população brasileira prossegue , com aumento no total de pessoas com mais de 60 anos e queda significativa da parcela de crianças e jovens de até 24 anos. Este grupo, que representava 46,3% da população em 2004, passou a uma fatia de 41,6% em 2009. Mas no ano passado também foi constatado aumento da fecundidade após anos (de 1,89 filhos em 2008 para 1,95 em 2009), numa espécie de ponto fora da curva.

Pela primeira vez, a Pnad investigou o estado civil dos brasileiros e constatou que havia mais casados (45,8%) do que solteiros (42,8%) em 2009 . Nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e, principalmente, Norte, havia mais mulheres solteiras do que casadas.

    Leia tudo sobre: Pnadpopulaçãorendatrabalhoconsumo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG