Em 2008, houve 48 mil crimes na Internet contra a Caixa Econômica Federal

BRASÍLIA - De acordo com a Polícia Federal (PF), houve 48 mil ataques virtuais contra a Caixa Econômica Federal em 2008. Foram abertos cerca de 4 mil inquéritos por mês para investigar o uso da internet como ferramenta para invadir sistemas e desviar dinheiro de contas correntes. O número de fraudes seria ainda mais alarmante caso a Polícia Civil centralizasse informações sobre crimes contra os demais bancos.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

"Somente de fraude bancária contra a Caixa nós abrimos mais de quatro mil inquéritos por mês", disse o responsável pela repressão de crimes eletrônicos da Polícia Federal (PF), delegado Carlos Eduardo Sobral.

Com exceção do banco federal, que reporta diretamente para a PF tentativas de fraudes ou de desvio de dinheiro, correntistas de outros bancos lesados por cibercriminosos têm de ir até sua agência bancária e fazer uma denúncia ¿ que pode ou não gerar um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil.  

40 inquéritos por mês em São Paulo

De acordo com o delegado assistente da 4ª Delegacia de Crimes por Meios Eletrônicos de São Paulo, José Mariano de Araújo Filho, somente sua unidade abre em média 40 inquéritos por mês para apurar crimes cometidos contra bancos através da internet.

"Acontece que outras denúncias podem acontecer em outras delegacias. E a Polícia Civil de São Paulo não tem estatísticas dos crimes registrados em outras delegacias nem daqueles praticados em outros Estados", explicou.

Fora o dado mais preciso da PF, Mariano disse que no Brasil é difícil até mesmo quantificar quantos crimes acontecem na rede mundial de computadores contra bancos, uma vez que, pela inexistência de legislação específica, quando registradas, as ocorrrências caem na rubrica de "furto mediante fraude".

"Não temos nem como saber o número correto de crimes praticados pela internet pois não existe uma diferenciação na hora do registro de ocorrência, seja pela internet ou não, todos aparecem como furto mediante fraude", disse o delegado.

Mariano ainda lembrou que a Polícia Civil é responsável por investigar os crimes cometidos contra todas as instituições bancárias ¿ com exceção da Caixa Econômica Federal, que é de responsabilidade da PF ¿ e que, apesar de não existir um dado concreto, pode-se supor que o número de crimes "é muito grande, até em vista à média da Caixa".

Bancos investem contra criminosos

Quem possuiu uma estatística mais apurada sobre o tema é a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A entidade, contudo, não revela o número total de crimes cometidos contra as instituições financeiras para a imprensa.

Apesar disso, a Febraban anunciou que, somente em 2008, os bancos investiram R$ 1,5 bilhão na tentativa de deter os cibercriminosos, o que teria reduzido em 29,6% o número de crimes cometidos no ano passado em relação a 2007.

Novas medidas contra o crime

O responsável pela repressão a crimes eletrônicos da PF, delegado Carlos Eduardo Sobral, disse que a partir de 2009 a Polícia vai atuar de maneira diferente no combate aos crimes praticados pela internet, utilizando novos programas de inteligência policial, o que deve reduzir o número de inquéritos.

Alguns delitos fazem parte de um crime maior, então com menos inquéritos a PF espera ser mais fácil buscar quadrilhas que praticam crimes cobertas pela rede.

Parcerias entre policiais

O delegado Sobral e o delegado José Mariano de Araújo Filho trocam informações e mantém abertos os bancos de dados de cada uma das instituições. A ideia se dá justamente na busca das quadrilhas, uma vez que os criminosos que atacam a Caixa Ecônomica também atacam os demais bancos brasileiros.

Outra parceria que está sendo fechada para 2009, segundo as polícias, é um protocolo de cooperação com a Febraban, para que a entidade repasse à PF e para à Polícia Civil os dados de todos os crimes e tentativas de fraudes registrados pelos bancos.  

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal disse que não se manifesta sobre este assunto para não atrapalhar as investigações da Polícia Federal.

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