Em 10 anos, dobra o número de mulheres que chefiam a casa

Cerca de 22 milhões de mulheres no Brasil são as responsáveis pela residência, segundo o Censo 2010

iG São Paulo |

O números de mulheres que são as responsáveis pela casa saltou de 11,1 milhões em 2000 para 22 milhões em 2010. Os dados são dos dois últimos censos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Censo 2010, havia no Brasil cerca de 57 milhões de unidades doméstica. Do total de indivíduos investigados, 30,2% eram responsáveis pela unidade doméstica. Desses, 61,3% eram homens (35 milhões) e 38,7%, mulheres (22 milhões).

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Mais presentes no mercado de trabalho, mulheres são responsáveis por mais residências
Mesmo com o aumento no números de mulheres chefiando uma casa, a diferença entre os salários dos homens e mulheres ainda é grande. Os censos realizados em 2000 e 2010 revelam que as mulheres com rendimento recebem cerca de 70% do salário dos homens. Em 2010, o rendimento médio mensal das mulheres (R$ 983) representou 70,6% dos homens (R$ 1.392), sendo que esse percentual variou de 70,3% na região Sul (R$ 1.045 para as mulheres e R$ 1.486 para os homens) a 75,5% na região Norte (R$ 809 das mulheres contra R$ 1.072 dos homens).

O salário menor ainda fica mais incoerente quando se apresenta o fato das mulheres serem mais instruídas que os homens. Em 2008, os homens brasileiros com mais de 10 anos de idade declararam ter, em média, 6,9 anos de estudo. Número inferior ao ensino obrigatório brasileiro que, até 2009, era de nove anos e, até 2016, passará para 14 anos de estudo. As mulheres já superavam o patamar, estudando, em média, 7,2 anos ao longo da vida. Em 2009, a diferença de pontos percentuais aumentou de 0,3 para 0,4. Veja as diferenças por idade no gráfico abaixo.

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PNAD 2009 / IBGE

Mais presentes no mercado de trabalho, as mulheres brasileiras passaram a ter menos filhos e mais tarde. O número médio de filhos das brasileiras foi de 1,86 filho em 2010, bem inferior ao do Censo 2000, 2,38 filhos. Os maiores declínios foram observados nas regiões Nordeste e Norte, que possuíam os mais altos níveis de fecundidade em 2000. Entre as unidades da federação, a mais baixa taxa de fecundidade pertence ao Rio de Janeiro (1,62 filho por mulher), seguido por São Paulo (1,63) e Distrito Federal (1,69). A mais alta foi a do Acre (2,77 filhos por mulher).

O padrão de fecundidade das mulheres brasileiras também sofreu alterações entre 2000 e 2010. A tendência observada até então era de rejuvenescimento, isto é, uma maior concentração dos níveis de fecundidade nas idades mais jovens. Em 2010, ocorre uma mudança, e os grupos de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos de idade, que concentravam 18,8% e 29,3% da fecundidade total em 2000, respectivamente, passaram a concentrar 17,7% e 27,0% em 2010. Para os grupos de idade acima de 30 anos, observa-se um aumento de participação, de 27,6% em 2000 para 31,3% em 2010.

Brasil mais feminino

A diferença entre o número de mulheres e homens na população vem aumentando nos últimos anos. A primeira década do século mostrou que diferença de população entre os sexos já está em quase 4 milhões de pessoas, cerca de 2% da população. Apesar de nascerem mais homens, a menor mortalidade e a maior longevidade das mulheres garantem a predominância feminina no País. Os dados são do Censo 2010, realizado pela Instituto Brasileiro e Geografia e Estatística (IBGE) no fim do ano passado.

Atualmente, há 96 homens para cada 100 mulheres. Em 2000, eram 96,9 para casa 100 mulheres. No total, o Censo contabilizou 97.348.809 mulheres e 93.406.990 homens no País. Em 2010, a população feminina brasileira ultrapassou em 3,9 milhões a masculina. A diferença entre homens e mulheres, no entanto, não reflete o número de nascimentos. Hoje, nascem mais meninos que meninas nas maternidades. Essa relação, entretanto, muda na faixa dos 25 anos. A explicação: os homens estão mais expostos à violência e morrem mais jovens. “Nascem mais homens que mulheres, mas a mortalidade entre os homens, mesmo a natural, é maior que entre as mulheres. A diferença da expectativa de vida ultrapassa seis anos. Contribui para essa distância a violência nos grandes centros urbanos brasileiros”, disse o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.

O Estado que apresenta a menor razão de sexo é o Rio de Janeiro (91,2 homens para cada 100 mulheres), o que de certa forma influencia na razão de sexo da região Sudeste, que é de 94,6 homens para cada 100 mulheres. As regiões Sul e Nordeste têm razão de sexo de 96,3 homens para cada 100 mulheres, e 95,3 homens para cada 100 mulheres, respectivamente.

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