Eloá permanece em estado gravíssimo, com instabilidade

SÃO PAULO - Na manhã deste sábado, a diretora do Centro Hospitalar de Santo André, no ABC paulista, Rosa Maria Pinto de Aguiar, afirmou, em entrevista coletiva, que a jovem Eloá, de 15 anos, sequestrada pelo ex-namorado, teve agravado seu estado de saúde durante a madrugada e sofre grande risco de morte.

Redação com agências |

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Eloá foi mantida refém durante quatro dias pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, 22 anos. Ela passou, ontem, por cirurgia de três horas e segue em coma induzido, com um quadro instável. 

Baleada na cabeça, Eloá perdeu muito sangue e massa encefálica. Segundo os médicos, a paciente está em um grau 4 de coma, considerado de alto risco, sendo que a escala para essa situação vai de 3, o mais grave, a 15, o mais leve.

A médica explicou que a bala não pode ser retirada. O projétil entrou pelo lado direito da testa e ficou alojado no lado direito da nuca, o que prejudica o quadro da jovem. A lesão no cérebro foi agravada pelos fragmentos da bala, causando um quadro chamado lesão térmica, que contribui com o aumento do edema. O outro disparo, que atingiu a virilha de Eloá, foi retirado.

A outra jovem, Nayara, que levou um tiro no rosto, passa bem, segundo informações do cirurgião buco-maxilo-facial, Gabriel Pastore. Nayara, internada na unidade de terapia semi-intensiva, não deve ter sequelas e a previsão é que seja liberada em sete dias. A jovem chegou a receber a visita do governador de São Paulo, José Serra, durante a madrugada.

O prefeito de Santo André, João Avamileno, também compareceu ao hospital por volta de 9h da manhã para prestar solidariedade à família das vítimas.

A imprensa chegou a noticiar que a assessoria do Palácio dos Bandeirantes havia informado que Eloá tinha morrido, pouco depois de chegar ao hospital. Procurada pelo Último Segundo, tanto a assessoria do Palácio dos Bandeirantes como a da Secretaria de Segurança Pública e do hospital de Santo André não confirmaram a morte da jovem.

Horas depois, a assessoria de imprensa do governo do Estado afirmou que chegou a receber, "da área da Segurança Pública", a notícia do falecimento. Em seguida, o governo teria sido informado de que Eloá tinha sido reanimada na sala de cirurgia e encontra-se em coma induzido e processo cirúrgico. A nota oficial fez um pedido de desculpas à família de Eloá.

Lindemberg saiu do apartamento algemado e aparentemente sem ferimentos. Após fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), ele foi encaminhado para o 6° DP de Santo André.

Policiais fazem perícia no apartamento onde as menores foram mantidas reféns por mais de 100 horas. Eduardo Lopes, advogado do autor do seqüestro, Lindembergue Alves, deixou o caso.

O sequestro chegou ao fim na tarde desta sexta-feira, depois de a polícia invadir o apartamento onde as jovens estavam. Segundo o coronel Eduardo Félix de Oliveira, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM), a decisão de entrar no local foi tomada após uma equipe próxima ter ouvido um disparo. Uma bomba foi utilizada para abrir a porta do imóvel, por onde entraram alguns oficiais. Outros utilizaram uma escada e pularam a janela do apartamento.

O caso

O sequestro começou na segunda-feira (13). Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá por volta das 13h30, por estar inconformado com o fim do relacionamento com a estudante. Na terça-feira, ele libertou a amiga da ex-namorada, Nayara, que foi rendida novamente na manhã de quinta-feira. Seu retorno foi pedido pelo sequestrador como condição para a libertação de Eloá, mas, quando a menina entrou no apartamento, se tornou refém de novo.

Apesar de amigos dizerem que Lindemberg é uma pessoa tranqüila, o coronel disse que durante toda a operação o comportamento do sequestrador variou muito entre o agressivo e o compreensivo. Félix ainda afirmou que, segundo Nayara, o adolescente agredia a ex-namorada.

Ele defendeu a atuação da polícia no caso, afirmando que tentaram preservar a vida de todos, mas que a ocorrência era de alto risco. Do mesmo jeito que estão questionando agora, poderiam estar aplaudindo, afirmou.

O governo do Estado de São Paulo ainda não se pronunciou sobre a ação da polícia.

(Com infrmações da Agência Estado)

Veja as imagens do fim do sequestro:

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