Eloá é retirada do coma induzido; quadro segue grave

SÃO PAULO - O estado de saúde da jovem Eloá, de 15 anos, sequestrada por mais de 100 horas pelo ex-namorado, piorou durante a madrugada, após a cirurgia, e são poucas as chances de sobrevivência, informou o médico Marco Tulio Setti, na manhã deste sábado. A jovem está sendo retirada do coma induzido para avaliação do real estado neurológico.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

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Eloá foi mantida refém durante quatro dias pelo ex-namorado, Lindembergue Alves, de 22 anos, que disparou dois tiros contra ela, que passou, ontem, por cirurgia de três horas. 

O médico informou, em entrevista à imprensa que a jovem respira com ajuda de aparelhos, mas não pode ser decretada morte cerebral.

O Secretário de Saúde de Santo André, Dr. Homero Duarte, afirmou que é difícil Eloá sobreviver. Segundo Duarte, para avaliar uma morte encefálica são necessárias duas equipes médicas. Os pais das jovens estão em observação no hospital, auxiliados por psicólogos e psiquiatras.

Baleada na cabeça, Eloá perdeu muito sangue e massa encefálica. A

hemorragia foi contida. Segundo os médicos, a paciente passou de um grau 4 de coma para 3 - a escala para essa situação vai de 3, o mais grave, a 15, o mais leve.

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Exame mostra onde bala ficou alojada/ Foto AE
Exame mostra onde bala ficou alojada no cérebro da jovem Eloá/ Foto AE

As chances de sobrevivência são pequenas, mas não há como quantificá-las, afirmam os médicos. "De acordo com minha experiência, se a pessoa sobrevive a um trauma desses, fica com sequelas muito graves, como permanecer em estado vegetativo", disse Setti.

Por volta de 9h30, um representante da equipe de médicos do hospital afirmou que as informações oficiais serão prestadas pelos médicos às 17h e que não se deve "encarar as demais informações como verdadeiras".

A diretora do Centro Médico Hospitalar de Santo André, Rosa Aguiar, explicou que a bala não pode ser retirada. O projétil entrou pelo lado direito da testa e ficou alojado no lado direito da nuca, o que prejudica o quadro da jovem. A lesão no cérebro foi agravada pelos fragmentos da bala, causando um quadro chamado lesão térmica, que contribui com o aumento do edema. O outro disparo, que atingiu a virilha de Eloá, foi retirado.

A outra jovem, Nayara, que levou um tiro no rosto, passa bem, segundo informações do cirurgião buco-maxilo-facial, Gabriel Pastore. Nayara, internada na unidade de terapia semi-intensiva, não deve ter sequelas e a previsão é que seja liberada em sete dias. O maior risco para a jovem é o perigo de infecção.

Serra foi ao centro hospitalar
Serra foi ao Centro Hospitalar/ Foto AE
O governador de São Paulo, José Serra, foi ao centro hospitalar para visitar as jovens durante a madrugada. O prefeito de Santo André, João Avamileno, também compareceu ao hospital por volta de 9h da manhã para prestar solidariedade à família das vítimas.

Fim do sequestro

A imprensa chegou a noticiar que a assessoria do Palácio dos Bandeirantes havia informado que Eloá tinha morrido, pouco depois de chegar ao hospital. Procurada pelo Último Segundo, tanto a assessoria do Palácio dos Bandeirantes como a da Secretaria de Segurança Pública e do hospital de Santo André não confirmaram a morte da jovem.

Horas depois, a assessoria de imprensa do governo do Estado afirmou que chegou a receber, "da área da Segurança Pública", a notícia do falecimento. Em seguida, o governo teria sido informado de que Eloá tinha sido reanimada na sala de cirurgia. A nota oficial fez um pedido de desculpas à família de Eloá.

Lindembergue saiu do apartamento algemado e aparentemente sem ferimentos. Após fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), ele foi encaminhado para o 6° DP de Santo André. Eduardo Lopes, advogado do autor do seqüestro de Lindembergue, deixou o caso.

O sequestro chegou ao fim na tarde de ontem, sexta-feira, depois de a polícia invadir o apartamento onde as jovens estavam. Segundo o coronel Eduardo Félix de Oliveira, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM), a decisão de entrar no local foi tomada após uma equipe próxima ter ouvido um disparo. Uma bomba foi utilizada para abrir a porta do imóvel, por onde entraram alguns oficiais. Outros utilizaram uma escada e pularam a janela do apartamento.

O caso

O sequestro começou na segunda-feira (13). Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá por volta das 13h30, por estar inconformado com o fim do relacionamento com a estudante. Na terça-feira, ele libertou a amiga da ex-namorada, Nayara, que foi rendida novamente na manhã de quinta-feira. Seu retorno foi pedido pelo sequestrador como condição para a libertação de Eloá, mas, quando a menina entrou no apartamento, se tornou refém de novo.

Apesar de amigos dizerem que Lindemberg é uma pessoa tranqüila, o coronel disse que durante toda a operação o comportamento do sequestrador variou muito entre o agressivo e o compreensivo. Félix ainda afirmou que, segundo Nayara, o adolescente agredia a ex-namorada.

Ele defendeu a atuação da polícia no caso, afirmando que tentaram preservar a vida de todos, mas que a ocorrência era de alto risco. Do mesmo jeito que estão questionando agora, poderiam estar aplaudindo, afirmou.

O governo do Estado de São Paulo ainda não se pronunciou sobre a ação da polícia.

(Com informações da Agência Estado)

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Médicos explicam estado de saúde de Eloá e Nayara

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