SÃO PAULO - Eliana Tranchesi, uma das donas da boutique de luxo Daslu, na capital paulista, saiu da Penitenciária Feminina de São Paulo por volta das 20h desta sexta-feira. A empresária foi condenada a 94,5 anos de prisão por crimes financeiros e a Justiça concedeu habeas-corpus para ela e as outras seis pessoas condenadas nos desdobramentos da Operação Narciso, da Polícia Federal. De todos os condenados pela Justiça, apenas três foram presos: Eliana, seu irmão, Antonio Carlos Piva de Albuquerque e Celso de Lima, ex-diretor financeiro da Daslu.

AE

Eliana Tranchesi deixa a prisão em São Paulo

Pouco antes de Eliana, Antonio Carlos, que é diretor financeiro da Daslu, e Celso, dono da importadora Multimport, saíram do Centro de Detenção Provisória (CDP) III de Pinheiros, na zona oeste.

Joyce Roysen, advogada de Eliana, disse que a concessão de habeas-corpus é "uma decisão técnica e justa". A advogada disse que sua cliente está "fragilizada, mas está bem" e que Eliana vai para casa, onde deve receber atendimento médico.

Segundo Joyce, o próximo passo da defesa é "recorrer dessa sentença absurda e derrubar os argumentos [ da acusação]".

Ela disse que a decisão sobre o habeas-corpus "se baseou na inconstitucionalidade da prisão de Eliana e nada tem a ver com o estado de saúde dela. A defesa alegou no pedido de liberdade, impetrado no Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo às 13h de quinta-feira, que Eliana está com câncer e por isso precisaria de tratamento médico domiciliar.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitiu a soltura do irmão de Eliana, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, condenado a 94,5 anos, e esta decisão é extensiva a ela e aos outros cinco citados pela Justiça por crimes financeiros.

No TRF de São Paulo foram feitos pedidos de habeas-corpus em nome de Eliana Tranchesi, Celso de Lima, condenado a 53 anos, Roberto Sakhouri Júnior e Rodrigo Nardy Figueiredo, ambos da importadora "Todos os Santos", que pegaram 11,5 anos de pena. Todos esses pedidos de habeas-corpus foram concedidos, mas Roberto e Rodrigo não estão presos: o primeiro está viajando e o último não foi localizado.

Segundo a advogada Joyce Roysen, Eliana passou a primeira noite em uma cela sozinha no Presídio Feminino do Carandiru.

Ela foi presa por volta das 6h de quinta-feira quando estava em sua casa, na zona sul da cidade. "Hoje de manhã ela tomou uma medicação e teve que fazer exame de sangue", disse a advogada. Isso por causa do tratamento radioterápico e quimioterápico que Eliana faz para tratar um câncer.

Um laudo médico assinado pelo oncologista Sérgio Daniel Simon, do Hospital Albert Einstein, recomenda que a paciente fique em "prisão domiciliar" para que receba os "cuidados médicos apropriados". O estado de saúde de Eliana é um dos argumentos utilizados pela defesa a seu favor.

Condenação

Eliana Tranchesi foi condenada a 94,5 anos de prisão. Três anos são pelo crime de formação de quadrilha, 42 pelo crime de descaminho consumado (importação fraudulenta de um produto lícito), 13,5 anos por descaminho tentado e mais 36 por falsidade ideológica.

"Nós temos a convicção absoluta que se trata de uma condenação injusta. A pena foi criada a partir de uma multiplicação de números absurdos sem fundamento jurídico", disse Joyce.

Para ressaltar a sua posição, a advogada comparou a sentença de Eliana com casos de grande repercussão na imprensa, como Suzane von Richtofen (condenada a 39 anos), Fernandinho Beira-Mar (6 anos), Pimenta Neves (19 anos e 2 meses) e Carlos Eduardo Toledo Lima (caso João Hélio, com sentença de 45 anos e 3 meses).

Além de Eliana, mais seis pessoas foram condenadas. O irmão dela, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, também pegou 94,5 anos de prisão. Foi preso ainda Celso de Lima, ex-diretor financeiro da Daslu, condenado a 53 anos.

Dos outros quatro condenados, um está viajando e os três restantes ainda não foram localizados. Eles são Roberto Sakhouri Júnior, da importadora "Todos os Santos", que pegou 11,5 anos de pena e no momento está viajando; André de Moura Beukers, da importadora "Kinsberg", que foi condenado a 25 anos; Christian Polo, da importadora "By Brasil", que pegou 14 anos de prisão e Rodrigo Nardy Figueiredo, também da importadora "Todos os Santos", condenado a 11,5 anos.

Histórico

As investigações sobre o suposto esquema de contrabando e de fraude fiscal envolvendo a Daslu começaram em outubro de 2004 com a apreensão de uma nota fiscal da Gucci que estava em um contêiner no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos.

A nota mostrava a venda direta da grife italiana para a Daslu enquanto outra nota, a que foi apresentada à Receita Federal, dizia que a mercadoria havia sido exportada de Miami (Estados Unidos) para uma importadora no Brasil.

Escutas telefônicas demonstraram que os acusados no caso estavam planejando a queima de documentos sobre a fraude. Isso motivou, em julho de 2005, a Operação Narciso. Na época, policiais federais revistaram a Daslu, apreenderam documentos e prenderam a proprietária da loja, Eliana Maria, e seu irmão, além de dois outros acusados.

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