As eleições começaram a tomar forma hoje com o fim do prazo para que os políticos em postos públicos que desejam participar do pleito do dia 3 de outubro renunciem a seus cargos.

Nesta semana dez ministros, entre eles a governista Dilma Rousseff (PT), e 10 dos 27 governadores, como o opositor José Serra (PSDB), renunciaram seus cargos para poder participar das eleições.

Apesar deles ainda não poderem iniciar suas campanhas, as renúncias desta semana delinearam o panorama eleitoral sobre quem serão os principais candidatos, especialmente o sucesso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar de contar com uma popularidade recorde, a Constituição permite apenas uma reeleição o que deixa Lula fora do pleito.

A principal dúvida era Serra, que até sexta governava São Paulo, e que, apesar de liderar todas as pesquisas de intenções de voto, até agora não tinha deixado claro se disputaria as eleições.

Um dos principais líderes do PSDB, Serra foi derrotado por Lula nas eleições presidenciais de 2002. Ele esperou o máximo possível para confirmar sua intenção de concorrer com Dilma.

Além de Serra e de Dilma, que nos últimos meses reduziu a diferença que a separava do ex-governador nas enquetes, outra que confirmou sua intenção de disputar a presidência é a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva.

Marina concorre pelo PV e foi uma das ministras com mais tempo no Governo Lula, mas terminou renunciando devido a divergências sobre a política ambiental e supostamente com Dilma, que encabeçou obras muito criticadas pelos ambientalistas.

Outro possível candidato é o deputado Ciro Gomes, também ex- ministro de Lula e governista, que não esconde seu desejo de disputar o governo apesar do PSB parecer mais disposto a apoiar Dilma.

Uma das renúncias mais esperadas foi a do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que terminou optando por permanecer no cargo.

Meirelles queria ser vice-presidente de Dilma, algo visto com bons olhos por Lula, mas não conseguiu o respaldo do seu partido, o PMDB. Decidiu então seguir no cargo.

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também renunciou. Até alguns meses atrás ele era apontado como possível candidato à presidente do PSDB.

Apesar de Aécio assegurar que renuncia para poder concorrer a um mandato como senador em outubro, seus correligionários tentam convencê-lo a aceitar ser candidato a vice-presidente de Serra.

Além de Serra (SP) e de Aécio (MG), os governadores do Amazonas, Mato Grosso, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia e Santa Catarina também deixaram seus cargos, na esperança de serem eleitos senadores por seus respectivos estados.

O último a se reunir com o grupo foi o governador do Amapá, Waldez Gés, que quase não passou o cargo para o seu vice hoje e também pretende disputar um mandato como senador.

Dos outros 17 governadores, 13 buscam a reeleição, para o que não necessitam renunciar, e só quatro não serão candidatos.

Na quarta-feira, na cerimônia na Presidência na qual se despediu de Dilma e disse ter certeza que ela "será muito mais que ministra", Lula substituiu outros nove ministros que devem concorrer às eleições.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.