ELEIÇÃO-PMDB aposta em líderes regionais para seguir competitivo

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - De olho em 2010, o plano do PMDB nas eleições de outubro é aumentar o número de prefeitos em todo o país. Essa capilaridade, acreditam líderes do partido, manterá a legenda em um papel de destaque no cenário político nacional.

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Atualmente, contando os prefeitos que foram eleitos por outros partidos e depois aderiram ao PMDB, a sigla controla 1.308 prefeituras. O objetivo do partido é eleger entre 1.500 e 1.700 prefeitos.

A meta é ambiciosa, já que nas eleições de 2004 o desempenho do PMDB foi pior do que o obtido em 2000. Caiu de 1.250 para 1.059, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mesmo assim, o PMDB continuou a ser o partido com o maior número de prefeitos.

'A capilaridade é o principal instrumento de força do PMDB', argumenta o líder da sigla na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

'Não temos mais líderes nacionais como antes, como Ulysses Guimarães (1916-1992). Temos grandes líderes regionais, como os nossos governadores. O cruzamento dessas lideranças no país todo nos garantirá força nas eleições proporcionais e criará chances de o PMDB ter candidato próprio em 2010.'

As últimas tentativas do PMDB de disputar as eleições presidenciais com candidato próprio fracassaram. Em 2006, por exemplo, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e o ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto lançaram pré-candidaturas. Desistiram depois de perder disputa interna com a maioria governista (pró-Lula) do partido.

Mesmo sem candidatos próprios, no entanto, o PMDB tem marcado presença nos últimos governos. Como possui um grande número de cadeiras no Congresso, o partido vem trocando apoio ao governo federal no Legislativo por participações em postos do Executivo, como no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Candidatos do PMDB tentam a reeleição em cinco capitais: Salvador, Goiânia, Campo Grande, Porto Alegre e Florianópolis.

A sigla quer ainda eleger prefeitos em Macapá, São Luís, Belo Horizonte, Belém, Recife, Curitiba, Rio de Janeiro e Aracaju.

Para integrantes da Executiva Nacional do partido, as eleições no Rio de Janeiro e em Salvador são estratégicas.

Na capital fluminense, Eduardo Paes deixou o PSDB a convite do governador peemedebista Sérgio Cabral para representar o PMDB na disputa. Inicialmente, Cabral apoiaria o petista Alessandro Molon. Com a recusa do PT em embarcar em candidaturas do PMDB em outras cidades do Estado, a aliança ruiu.

Já na Bahia, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, tenta ocupar os espaços surgidos com a morte do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (DEM). João Henrique Carneiro (PMDB) tenta a reeleição na capital. É o terceiro colocado nas pesquisas, atrás justamente de Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) e do tucano Antônio Imbassahy. O prefeito elegeu-se pelo PDT, mas filiou-se ao PMDB no ano passado.

Em São Paulo, o partido está apoiando o prefeito Gilberto Kassab (DEM) em uma decisão pessoal do ex-governador Orestes Quércia, presidente do diretório estadual do PMDB. Quércia tem autonomia dentro da legenda.

O peemedebista declarou que a adesão a Kassab, que tem apenas 11 por cento das intenções de voto, faz parte da estratégia de apoio à aspiração do governador José Serra (PSDB) de concorrer à Presidência da República em 2010. Quércia opta por uma estratégia que bate de frente com o governo Lula, aliado no nível federal.

Em Porto Alegre, o atual prefeito José Fogaça, que concorre à reeleição, está na liderança das pesquisas. Em uma capital que foi dominada pelo PT, a reeleição traria uma vitória com sabor ao PMDB, mesmo que Fogaça tenha sido eleito em 2004 pelo PPS. Peemedebista desde o surgimento do antigo MDB, ele foi para o PPS em 2001 por divergências internas.

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