Eleição na Câmara chega à reta final em clima de traição

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - O deputado Michel Temer (PMDB-SP) é o favorito na eleição para a presidência da Câmara, marcada para segunda-feira. Adversários de Temer, no entanto, chegam à reta final apostando que o voto secreto permitirá que deputados descontentes com a decisão de seus líderes inviabilize a vitória do peemedebista.

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Temer, que poderá substituir o atual presidente, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para o biênio 2009-2010, conta com o apoio de 14 partidos e estima que receberá cerca de 300 votos --mais do que os 257 necessários.

No entanto, o descontentamento de parlamentares com a possibilidade de o PMDB ficar muito poderoso se conquistar as presidências da Câmara e do Senado (com José Sarney) e a proximidade de parte dos deputados com outros candidatos podem fazer com que ocorram defecções entre os integrantes das legendas que prometem apoio.

Além de Temer, disputam o cargo os deputados Ciro Nogueira (PP-PI), Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Osmar Serraglio (PMDB-PR).

"A única chance das outras candidaturas é ter um alto nível de defecção em cada bancada, mas elas (as traições) não vão ser tão altas", afirmou o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE). O PT apóia a candidatura temer.

"Eleição na Câmara tem também muito das relações pessoais, então é natural que as bancadas tenham defecções", argumentou. "O quadro está bem estabilizado."

Segundo o líder do PMDB na Casa e um dos coordenadores da campanha de Temer, Henrique Eduardo Alves (RN), os poucos deputados que não seguirem a orientação de seus líderes agirão por amizade ou gratidão aos opositores do peemedebista.

Otimista, Alves acredita que Temer vencerá no primeiro turno mesmo sem os votos de parte dos cerca de 420 deputados dessas 14 legendas.

"Esperamos ter 350 votos no dia da eleição", disse o peemedebista. "Está consolidada a eleição na Câmara."

Para Rands, além das questões pessoais, a disputa de poder dentro do PMDB também pode atrapalhar a candidatura de Temer.

"Renan (senador Renan Calheiros, de Alagoas, líder do PMDB no Senado) dialoga bem com Aldo e tem alguns governadores que estão fazendo campanha para Aldo, como por exemplo o meu governador (Eduardo Campos, PSB-PE)", comentou o petista. "Mas acho que nada que coloque em risco a candidatura de Temer", acrescentou.

Na terça-feira, líderes de 14 partidos --PMDB, PT, PSDB, DEM, PR, PDT, PTB, PV, PPS, PSC, PHS, PTdoB, PTC e PRB-- assinaram uma nota em apoio a Temer. Rebelo conta com a adesão do PCdoB, PSB e PMN.

Formalmente, a candidatura de Nogueira tem apenas o suporte do PP. O deputado, no entanto, é conhecido pelas ligações com os parlamentares menos conhecidos, o chamado baixo clero. Já Serraglio lançou uma candidatura independente, sem o respaldo da cúpula do PMDB ou de outra sigla.

Na opinião de Nogueira, considerado até agora o mais forte adversário de Temer, a fragilidade da candidatura do concorrente deve-se ao fato de as cúpulas partidárias terem decidido apoiar o peemedebista devido a interesses relacionados à eleição de 2010 e à disputa pela presidência no Senado, sem consultar todos os integrantes das suas respectivas bancadas.

"Enquanto alguns fazem uma estimativa por amostragem, como é o caso do Michel, eu faço contabilidade de um a um", disparou Nogueira.

"Não chamo de traição. Traição é de alguém que se comprometeu com ele (Temer). Quem se comprometeu foram algumas cúpulas de partidos. Os deputados não se comprometeram", concluiu.

A disputa para ocupar a presidência da Câmara tem ingredientes como o poder de decisão para conduzir as votações e o orçamento de 3,5 bilhões de reais para este ano. O ocupante da Câmara também é o segundo (após o vice-presidente) na sucessão do presidente da República, nos casos de impedimento ou vacância do cargo.

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