Ejaculação precoce afeta um em cada três homens

Ejaculação precoce afeta um em cada três homens Por Andressa Zanandrea São Paulo, 18 (AE) - A ejaculação precoce afeta, em média, um em cada três homens em todo o mundo, independentemente da idade. Ela pode ser causada por problemas emocionais, estresse, e também por componentes fisiológicos e psicológicos, envolvendo o cérebro e sistema nervoso central.

Agência Estado |

Por vergonha, muitos não procuram tratamento, que poderia evitar desgastes no relacionamento com a parceira.

Para os estudos clínicos, é considerada ejaculação precoce quando ela ocorre em até um minuto da penetração vaginal. "Não é um consenso. Há homens que ficam insatisfeitos com cinco minutos", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

O tempo não é o único fator que determina a disfunção. Para a Sociedade Internacional de Medicina Sexual, são três os componentes principais: curto tempo para ejaculação, falta de controle ejaculatório e angústia, impacto negativo ou sofrimento relacionado à ejaculação - como dificuldades conjugais por conta do problema.

O doutor em urologia Celso Gromatzky diz que diferentemente da impotência, que normalmente atinge mais os homens nas faixas etárias de 40 a 50 anos, essa disfunção sexual afeta homens de todas as idades. Ela pode aparecer desde o início da vida sexual. "Se o homem consegue normalizar sozinho, isso faz parte do aprendizado. Se persiste e passa a incomodar, é melhor tratar o quanto antes." Existe também a ejaculação precoce secundária - 30% dos casos -, que tem alguma outra causa, como estresse, doença ou problemas emocionais.

O tratamento para a ejaculação precoce leva pelo menos seis meses e, na maioria dos casos, dura cerca de um ano. Carmita explica que, após a avaliação, é feita uma associação de medicamento (antidepressivo), psicoterapia e tratamento tópico. A ajuda da parceira também é importante, segundo os médicos, para a melhora no resultado.

Pesquisas mostram que a serotonina tem um papel na supressão da ejaculação, o que pode explicar porque alguns medicamentos que elevam os níveis desse neurotransmissor, como os antidepressivos, parecem retardar o tempo para a ejaculação. Na Europa, foi aprovado recentemente o primeiro medicamento dirigido especificamente para ejaculação precoce, que promete ser tão inovador quanto o Viagra foi perante a disfunção erétil.

Como os antidepressivos, a dapoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina. Comercializada como Priligy, pode ser tomada uma hora antes da relação sexual, com efeito de até seis horas. "A vantagem é que ele pode ser usado antes do ato em vez de ser tomado constantemente, como é feito com os antidepressivos, que precisam ter um efeito cumulativo para o tratamento", explica Carmita.

Ainda não há previsão de chegada do medicamento ao Brasil, mas isso não é um impedimento para procurar ajuda, alerta Gromatzky. "Quem não quer usar remédios pode recorrer à psicoterapia, que é muito importante para o paciente ficar mais seguro e tranquilo."

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