Um dos fatores que limitam o interesse do grande público por música instrumental é o excesso de cabecismo e virtuosismo por parte dos músicos. O guitarrista paulistano Edu Negrão - que faz show de lançamento do terceiro álbum, Verdenovo, hoje no Tom Jazz, em São Paulo, - é comedido nesse aspecto.

"Gosto de fazer música para quem não é músico. A gente tem de contagiar as pessoas", diz. "Tem coisas de jazz, com 10 minutos de solo, que são um porre", reconhece.

Mesmo nos shows, Negrão, que é da geração "pós-jazz" e faz música "eletroacústica contemporânea", como ele define, abre mão de muitos improvisos para privilegiar os temas. E há um punhado de bons exemplares deles em seu CD, que fecha uma trilogia estética e temática. "Essas composições têm uma característica, que é como se fossem canções instrumentais, porque são melodias cantáveis. Se tivessem letras seriam canções", exemplifica.

Nos 12 temas de "Verdenovo", produzido por Yuri Popoff, como os anteriores, o músico se expande por ritmos diversos, frutos de suas influências europeias e brasileiras, em especial de Toninho Horta. Só tem fera acompanhando o guitarrista: Benjamin Taubkin (piano), João Parayba (percussão), Nenê (bateria), Toninho Ferragutti (acordeon) e outros do mesmo naipe. No próximo CD ele já diz que vai "botar os dentes pra fora". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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