Ecstasy pode estar relacionado à lesão cerebral aguda, diz pesquisa

Um estudo publicado pelo periódico Neurology, jornal oficial da Academia Norte-americana de Neurologia, pode trazer mais um ponto sobre a questão dos malefícios do ecstasy para a saúde. A publicação descreve a história de um homem e uma mulher de 25 anos de idade que apresentaram lesão cerebral após crise epilépticas desencadeadas pela ingestão da droga.

Agência Estado |

"O que se observou de mais impressionante foi que, com uma crise epiléptica de curta duração, de menos de dois minutos, os jovens apresentaram lesão no hipocampo", diz o médico Ricardo Teixeira, diretor do Instituto do Cérebro de Brasília (ICB). "Isso significa que o ecstasy pode ter potencializado o efeito danoso que a crise epiléptica tem sobre o cérebro", completou.

Ele esclarece que o hipocampo está do lado esquerdo e direito do cérebro e tem forte ligação com a memória. Tanto é que essa região é uma das mais precocemente afetadas na doença de Alzheimer. Teixeira diz que ainda é cedo para afirmar que a droga foi o fator determinante nesse caso. "Esses indivíduos já poderiam ter uma predisposição à crise, que chegou às vias de fato talvez pelo uso da droga. No entanto, cada vez mais os estudos vêm provando a ligação entre o uso de ecstasy e os efeitos danosos ao cérebro."

Em novembro do ano passado, a revista inglesa "Brain" trazia novidades em relação aos malefícios da droga. Na ocasião, pesquisadores holandeses haviam selecionado cerca de 190 indivíduos entre 18 e 35 anos que nunca tinham consumido ecstasy e que eram considerados potenciais usuários em um futuro próximo: ou por já ter declarado tal intenção ou por ter amigos que usavam a droga.

Os voluntários fizeram diversas técnicas de neuroimagem e, após 12 meses, eles voltavam para um novo exame. O processo durou três anos. Durante esse tempo, 59 pessoas haviam usado a droga. Eles, então, foram comparados com 56 pessoas do grupo original que não tinham experimentado o ecstasy. O resultado revelou uma série de anormalidades cerebrais no grupo que havia usado a droga, tais como alteração na perfusão (passagem de um líquido por meio de um órgão) sanguínea, na estrutura da substância branca e maturação cerebral. O importante foi notar que essas alterações só foram adquiridas após o início do estudo, quando os voluntários não as apresentavam.

Leia mais sobre: drogas - ecstasy

    Leia tudo sobre: drogasecstasy

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG