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É cedo para dizer quem matou garota, diz Guarda Civil

O supervisor da Guarda Civil Metropolitana (GCM), Adenízio Nascimento, disse hoje que é ainda é muito cedo para dar qualquer resposta sobre de qual arma partiu o disparo que matou uma estudante de 17 anos em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, no fim da noite de ontem. Moradores de Heliópolis realizaram um protesto contra a morte da garota, baleada durante uma suposta troca de tiros entre GCMs de São Caetano do Sul e um suspeito, que não havia sido localizado até a manhã de hoje.

Agência Estado |

Segundo os manifestantes, o tiro que acertou a jovem foi disparado por um guarda civil.

Os GCMs perseguiam um veículo roubado pouco antes em São Caetano do Sul, no ABC paulista, ocupado por um casal. De acordo com Nascimento, a perseguição começou no Jardim São José, quando os suspeitos fugiram ao perceber a presença das viaturas, e seguiram rumo a Heliópolis. Conforme o guarda, os ocupantes do carro atiraram várias vezes contra os guardas civis, que revidaram.

Durante a perseguição, o automóvel chegou a bater contra uma das quatro viaturas. Neste momento, de acordo com Nascimento, o suspeito desceu do carro e atirou contra uma delas, que foi atingida por dois disparos na traseira. Já em Heliópolis, o homem desceu do veículo e correu, seguido por GCMs. "Ao entrarem em varredura (na rua), os guardas viram essa parte (a garota) no chão, alvejada", afirmou Nascimento. Já a mulher foi detida dentro do carro, sem reagir.

A garota, que tem uma filha de 1 ano e 8 meses, foi baleada no pescoço e socorrida no Pronto-Socorro de Heliópolis. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu em seguida. A bala ficou alojada no pescoço e a perícia deve apontar de qual arma partiu o tiro. De acordo com Nascimento, o guarda que pode ter disparado o tiro fatal - que por enquanto não teve o nome divulgado - deve ficar afastado das suas funções até que o caso seja esclarecido. As armas dos GCMs envolvidos serão apreendidas e encaminhadas à perícia.

A suspeita detida dentro do automóvel foi reconhecida pela vítima como uma das autoras do roubo. A universitária foi roubada quando chegava em casa, vinda da faculdade. Nenhuma arma foi encontrada com a mulher detida, mas a Polícia Civil deve solicitar um exame residuográfico para checar se encontra resíduos de pólvora nas mãos dela, que deve ficar presa por roubo. O caso foi registrado no 95º Distrito Policial (DP), de Heliópolis.

Protesto

Depois da morte da garota, os moradores das imediações organizaram um protesto. Eles fizeram barricadas com madeira e pneus incendiados e iniciaram um tumulto. Aos gritos de "assassinos", os manifestantes jogaram pedras contra o carro do casal e contra os policiais civis e militares que estavam no local. A GCM já não estava mais lá. Agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), auxiliados por policiais militares, usaram bombas de efeito moral e tiros de borracha para dispersar os manifestantes.

Indignação

O garçom Iraildo Carlos da Silva, de 32 anos, se mostrou indignado com a morte da garota. "Nós, os moradores aqui, só queremos justiça." A jovem foi baleada na porta da casa dele. Silva disse ter ficado assustado com o barulho de tiros e, quando saiu, viu a garota já caída na rua. "Estava uma barulheira, acho que ela se assustou e se escondeu atrás de um carro, e eles confundiram ela com o suspeito", avaliou. Segundo ele, a garota voltava da escola e tinha um caderno nas mãos.

Conforme os moradores, houve demora no socorro da vítima. Na versão deles, os GCMs apenas socorreram a estudante depois da ordem de um policial militar, que chegou ao local. Os guardas teriam pegado a jovem pelos braços e pernas e jogado dentro da viatura. A GCM afirma que a garota chegou com vida ao hospital e nega os maus-tratos durante o socorro. Os manifestantes ainda afirmaram que o homem em fuga não estava armado. Durante o protesto, a vizinhança afirmou que os GCMs já atiravam desde o momento em que entraram na rua.

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